30 de junho de 2011

ai



pia chia
chaleira pia
ela cheia
ia
cheira
viu
(e nem um piu)






23 de junho de 2011

põe má




quero desaposentar o exercício da minha inteligência
quero-me interessada na despreguiça sensível
quero ingredientes para o anti-conforto mental
quero descolar e deslocar
deste tal local
igual
quero-me estudante de alguma não-coisa
lenta
quero desinventar a boa facilidade
líquida
fluída
quero que
bra
quero cucurutos que desencaminhem
o caminhante
quero-me pó e má
quero só
poema







11 de junho de 2011




um, dois, três

paf paf paf

um, dois, três

paf paf paf

iiiihhhhhhhhhhhhh

(ressucitei o blog)








5 de junho de 2011





Nenhum comediante teve (ainda) a ideia de fazer uma paródia desses blogs de moda?????









31 de janeiro de 2011



No fim do corredor, uma palavra cai no chão.


Será que a élice vai voltar a rodar?




25 de setembro de 2010

Não sou blog de política, mas...


...do jeito que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) anda, achei melhor publicar alguma coisa que pusesse uma vírgula nessas posições que andamos vendo nas capas de jornais como O Globo, a Folha de São Paulo (vulgo "O Folhetim", segundo alguns blogueiros...) e a revista Veja (vulgo "Óia", segundo nosso presidente! hehe).
O Leonardo Boff fundou a ONG onde trabalho.
Apesar de eu ter críticas ao governo Lula e tudo, esses ataques parcialíssimos e descarados da imprensa de direita só me fizeram querer mais é votar na Dilma mesmo, ao invés de mais à sua esquerda. No mais, é claro que a esquerda e a sociedade vai continuar pressionando, mesmo que o PT ganhe as eleições (e vai).

Mas é o seguinte, tucanada: não tem pra vocês!!!!!


A mídia comercial em guerra

Leonardo Boff *

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o "silêncio obsequioso" pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o "Brasil Nunca Mais", onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como "famiglia" mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), "a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)".

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para "fazedores de cabeça" do povo. Quando Lula afirmou que "a opinião pública somos nós", frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito innovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

[Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra].


Leia mais em: O esquerdopata
Under Creative Commons License: Attribution

21 de agosto de 2010

Uma música forte para os corações apaixonados pelo viver no registro da alegria



Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo meu corpo não alcançarão
Facas, lanças se quebrem sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia, viva Jorge!
Jorge é de Capadócia, salve Jorge!

Perseverança ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor
Perseverança ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor

Ogam toca pra Ogum

Jorge é da Capadócia


E uma versão forte para os persistentes:





13 de agosto de 2010

Sem título



Novidade: tudo!

Por onde começar? Nada.

Aqui jaz um blog que ao terceiro dia vai querer um dia voltar.

Socorro! Não sentia.

Agora ria.

Agora, rio.

Agora uma postagem non sense é o que de mais sentido posso postar.

E quem sabe, dentro em pouco, nessa tal de Élice apostar.

Estar: vento.

Vácuo.


(meu ato falho do momento tem sido assinar "Alive").


21 de maio de 2010

buááá




Gosto muito do Marcelo Barreto, e minha opinião foi a mesma quanto a seu último texto no seu blog, no site do globoesporte.com.

Texto muito bom. É tão bom que as críticas irracionais que por lá aparecem, nos comentários, viram a simples exposição clarividente de precipitações e opiniões imaturas. Fazer o quê, o futebol desperta crianças choronas e mimadas em nós, torcedores.
Mas, infelizmente, não só em nós, torcedores.
A prova disso são as declarações lamentáveis depois de dois jogaços de Grêmio e Santos contra a imprensa e contra o time do Grêmio proferidas por Robinho e outros garotos do Santos (Neymar, Ganso e André - garoto que, suspeito, por não ter a habilidade incrível dos companheiros, acaba optando mais por outras estratégias...). Isso também cabe a alguns torcedores e, há de se lembrar, à conduta do Santos contra Luxemburgo. Tudo bem, alguns dirão que Luxemburgo saiu mal do Santos e também fez seu drama no dia em que declarou nunca mais voltar à Vila, a não ser para jogar CONTRA o Peixe; alguns dirão - repetindo enjoativamente o clichê do clichê do clichê - que o time do Grêmio é, por seu do sul, "violento" (certamente sem lembrar dos tapas proferidos por Ganso, assim como os proferidos pelo Jonas, verdade seja dita, no fim do segundo jogo e, além disso, sem lembrar da camiseta de Jonas rasgada de cima a baixo em plena área, sem por isso provocar um apito marcando pênalty).

Mas o que eu até agora sigo tendo uma ENORME dificuldade para entender é.... PARA QUÊ??? O time do Santos é um dos melhores do Brasil (grita o torcedor agora, indignado "como assim, UM DOS melhores???? é O melhor!!!!"). E isso não está sendo contestado. Por que não? Porque o Santos prova isso com seu FUTEBOL. Quer coisa mais bonita, pacífica, não "acachorrada", digna, e, até, humilhante, do que jogar a bola que os garotos da Vila andam jogando? É isso que não deixa margem para argumentos!!!
Então, POR QUE, afinal, depois de jogo ganho, classificação obtida, falar como se fosse um time perseguido, quando, ao contrário, é o time mais badalado?
O time do Santos não precisa disso.
E devia se orgulhar de não precisar de declarações amarguradas na imprensa.
A unanimidade se dá em campo.
Deixem o locutor da Bandeirantes falar besteira; deixem Silas se precipitar; deixem o presidente do Grêmio (sem a malícia de Odone e Koff) ser ingênuo e dar declarações trsites e reativas (os jogadores do Grêmio, coitados, nada têm a ver com essa confusão: podem procurar, não há uma declaração infeliz deles, como bem o disse o chato do Robinho).

Teria sido (para praticar o exercício da hipótese) uma ótima oportunidade de mostrar que, só porque são garotos, os da Vila não são imaturos. Teria sido uma ótima oportunidade de mostrar que o Santos é o melhor por causa de seu futebol e apenas através de seu futebol.
Teria sido.

Agora, sou forçada a pensar que perdemos melhor do que eles ganharam. Agora, fica a raiva de Ganso, fica a amargura concentrada. Que triste. Quisera não ter tido motivos para isso, e dizer "perdemos para um puta time, de forma digna, lavei a alma". E só posso dizer "putz, perdemos praqueles moleques filhas da puta do Santos. Um puta time, golaços. Mas que nojo da arrogância infantilóide deles".
Agora sou obrigada a dizer: taí a prova de como eles se cagaram de medo do "medíocre" Grêmio (para usar as palavras que eles gostariam de usar contra todos os outros times do Brasil que não são Santos, sem se lembrarem, é claro, da sova que levaram do pequeno Santo André...).
Taí a prova de serem uns bebezinhos chorões que, mesmo ganhando o brinquedo do papai, ficam chateadinhos porque o papi não os pegou no colo (não bastaram os ingênuos e descabidos afagos de nosso "capitão" Victor em Ganso, mesmo após o guri ter distribuído tapas em nossos jogadores?).

Agora sou obrigada a dizer: os garotos se assustaram. Eles são totalmente vencíveis. O time que conseguir deitar e rolar com a infantilidade desses craques LEVA.
Sou obrigada a dizer: tomara que o Vitória leve.

E, pra fugir do recalque, sou obrigada a dizer: VAMOS GRÊMIO, TEMOS O BRASILEIRÃO PELA FRENTE!





25 de abril de 2010

Que as histórias sejam muitas!







Não consegui "embedar" aqui, então clica aqui nesse link!

Imperdível!










20 de abril de 2010

estilo

Você precisa jogar com tons diferentes, senão o look fica muito homogêneo.

Elementos de diferentes épocas podem compor uma estética interessante.

Há de se saber misturar, para fazer as quebras certas.

Algo de volume em cima, algo sequinho e clean embaixo.


Um tom mais dramático, certas formas marcadas e, em seguida, uma peça larga, soltinha, leve.












Você precisa ter dias de folga que intercalem os de sobretrabalho.

Você precisa de um post tolo sobre aquele mais carrancudo.

Você precisa não precisar, de vez em quando.





É uma questão de estilo.







8 de abril de 2010

Chuvas no Rio e uma enxurrada de absurdos



As chuvas e as consequências catastróficas em decorrência do volume recorde de água que caiu sobre o estado do Rio de Janeiro mobilizaram todos nós.
A tragédia é ainda mais grave para os que ficaram desabrigados, morreram ou perderam seus familiares nos inúmeros deslizamentos de terra que atingiram a população que vive em regiões de encostas.
E quem é essa população?
Ora, é a população mais pobre, que vive em favelas, sobre o solo lodoso que encobre as formações rochosas dos morros agudos da cidade maravilhosa.
Pois bem. Em momento de dor, luto, necessidade de apoio e ação rápida dos governos, eis que o que aparece na TV? O rosto alterado e visivelmente irritado do governador Sérgio Cabral, um exemplo de "delicadeza" e "elegância" em suas falas já famosas em relação aos pobres. Questionado sobre os deslizamentos no morro da Mangueira, esbravejou que as pessoas soterradas é que optaram por ocupar áreas de risco, sendo extremamente irresponsáveis e imprudentes ao morarem em encostas como aquela. Em um lampejo de lucidez, disse que a responsabilidade é do governo, sim - para imediatamente despejar uma avalanche de asneiras, ao completar a frase: "Nós devemos ser firmes e proibir a ocupação descontrolada dessas áreas. Quando construí os muros da Rocinha e do Santa Marta, disseram `Ah, o Sérgio Cabral construiu o muro da segregação`, mas agora estão vendo: eu construí tais muros para evitar tragédias como essa. Está na hora de agirmos radicalmente contra isso, sermos mais severos".
Horas depois, houve um deslizamento em frente à casa de Luma de Oliveira (ex-casa de Eike Batista), no mesmo morro do Santa Marta. As fundações da quadra de tênis ficaram totalmente expostas.
E aí perguntamo-nos: o que o governador teria a dizer a respeito disso? Por que ali não construiu muros? Por que não disse nada sobre a irresponsabilidade de construir ali?

Sérgio Cabral apenas faz aumentar o asco que facilmente sente-se por ele. Em plena tragédia, com corpos soterrados na lama, é capaz de culpar os mortos - os pobres.
A feliz surpresa foi ver Arnaldo Jabor, milagrosamente, fazendo uma fala EXCELENTE a respeito disso. Acesse aqui o link para assistir ao vídeo.
Ele diz tudo.


Fonte da imagem: http://www.charge-o-matic.blogger.com.br/

19 de março de 2010

melô dos defensores de direitos humanos


um militante incomoda muita gente
dois militantes incomodam incomodam muito mais


dois militantes incomodam muita gente
três militantes incomodam incomodam incomodam muito mais



três militantes incomodam muita gente
quatro militantes incomodam incomodam incomodam incomodam muito mais



quatro militantes incomodam muita gente
cinco militantes incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam muito mais



cinco militantes incomodam muita gente
seis militantes incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam muito mais



seis militantes incomodam muita gente
ste militantes incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam muito mais...
















3 de março de 2010
















ESTE BLOG ESTÁ PARADO TEMPORARIAMENTE POR MOTIVOS DE FORÇA MAIOR.

DESCULPEM-NOS O TRANSTORNO.

ESTAMOS TRABALHANDO PARA MELHOR SERVI-LO.

















20 de janeiro de 2010

se

se meus joelhos não doessem mais...




























me seria tirada a ilusão de que ainda posso ter dores de crescimento.

14 de janeiro de 2010

líquidas queixas








O Rio de Janeiro é uma cidade quente.

O Rio de Janeiro é mais do que uma cidade quente.
O Rio de Janeiro é uma cidade efervecentemente fervente.
Na última segunda-feira fez 41º na cidade do Rio de Janeiro, disse o Rodolfo Shneider, repórter da BandNews, no rádio. Sensação térmica? Derretentes 54º. Sabe o que que é isso, companheiro? É como torrar a tua cabeça numa frigideira em fogo alto. É como ter de trabalhar dentro de uma sauna úmida. É como o sol da uma da tarde no pior buraco da camada de ozônio - mas tu não tá na praia. É não ter idéia nenhuma de como homens conseguem colocar tarno e gravata, já que todos estão ensopados dentro do metrô, cujo ar condicionado não dá nem pra secar o suor do rosto. É nem te dar ao trabalho de te maquiar, se tu te maquia, pois durante o processo teu lápis vai traçar lágrimas negras no teu rosto e aquela blusa branca fresquinha vai manchar de pó compacto liquefeito. É sentir os odores, buduns, peles e mais líquidos dos que estão ao teu redor, com cara de deprimidos suicidas.

Nesse dia, bem nesse dia, eu estava num lugar chamado Baixada Fluminense. Aos leitores do blog que não connhecem o Rio, uma boa analogia à Baixada é o Vale do Rio dos Sinos. Isso mesmo, é uma região de vale, que fica atrás da capital, e o nome faz jus à sua geografia. Em frente, o Rio 40º com a acudida do mar; atrás, a serra 30º com a acudida da altitude. Então assim: se o Rio é o purgatório (da beleza e do caos), a Baixada é o inferno. Alguns dizem de lá: "do pó à lama", devido à sua vestimenta primordialmente de concreto e poeira laranja (dava pra dizer que dos tijolos às enchentes enlameadas, é tudo o mesmo material).
Entonces. Passei em Nova Iguaçu para pegar duas pessoas da minha equipe e fazermos uma visita domiciliar em Japeri, que é o INTERIOR de Nova Iguaçu. Isso mesmo, o interior da Baixada é tão interior que até atolar o carro nós atolamos.
Às 13hs.
Uma vez desatolados - ainda que toda essa função fosse um atoleiro em si -, seguimos nossa epopéia e voltamos a Nova Iguaçu. As pessoas nas ruas pareciam todas extenuadas de triatlos hard core: carnes rubras, pingavam e tinham dificuldade para respirar, com cara de "por favor alguém me tire daqui!". Meu pés, meus singelos pés tostavam no segundo passo dado na calçada.
IN
FER
NO.
Dali voltamos um pedaço da Dutra para pegar a estrada para Petrópolis - serra. Nem o ar condicionado do carro parecia dar conta. Depois de 30 min. mais ou menos é que sentimos o ar saindo mais frio. Eram quatro da tarde.
Da serra, saímos sete da noite. Olhei o termômetro: 34º. Que palhaçada, na serra, essa temperatura.

Dia seguinte, no purgatório, ouço José Simão, Band News outra vez:
"Rio de Janeiro, segunda feira.
Temperatura: 41º.
Umidade relativa do ar: 90%.
SEnsação térmica: QUERO MORRER!".

Por isso hoje estou com uma puta sinusite do cacete.

(Onde fica o céu?????)

















11 de janeiro de 2010

poema preguiçoso


eu quis escrever um poema preguiçoso.
ele falaria de moles malemolências
de embalos cremosos de rede
de pa
ssos bem mambembes
de bo
cejos e cochilos cochichentos



















mas...














sa
be...?
















deu u
ma preguiiiiiiiça...














vem cá



ca
ca
ca
ricando


ca
ca
ca
re
jando


ca
ca
ca
riocando

a carinosa m´en
ca
rou
e, de cara,
ca
cobrou
um
post.

(ok, agora que desandou, aqui está, o post que a peste pediu, porra!)

17 de dezembro de 2009

devires






as araucárias da serra fluminense
disputam a paisagem com
bananeiras.
não sei como vieram parar aqui:
nem as araucárias, nem as bananeiras.

há algo de bananeiras nas araucárias
e deve haver algo de araucárias nas bananeiras.

serra tropical é assim.
tropicalista.












14 de dezembro de 2009

alter-ego

Seu condinome era sabotador do trabalho. Era o terror dos grupos americanos fordistas, dos meritocratas, dos italianos, dos judeus, dos marxistas, dos reilgiosos e outros coletivos moralizados moralizantes. Em suma, era o pior pesadelo dos honrados em geral.
Seu método era o boicote.
Parecia mais indígena ou baiano, na medida em que o deitar na rede era uma de suas táticas. Mas não fazia isso heroicamente, como os tupis, tapajós, caigangues, tupinambás e outros ás és
ís ós ús o fizeram nos 1500 e se viraram nos 30 (sendo exterminados em massa, diga-se de passagem). Nada de heroísmos nem de macunaimadas. Fazia isso em nome de algo que sabia que não era só seu, de um coletivismo calado, assim como a voz de oprimidos avergonhados daquilo que queriam.
Como eles, ele queria a vagabundagem.
Empregava-se com incríveis boas referências e segue sendo um mistério como manteve sua reputação. Um gênio, sua estratégia de guerrilha era mesmo subterrânea, extremamente bem executada. Impecável.
Trapaceiro, comprometia-se com o maior número de atividades sobre as quais ele pudesse ocultar algo ou arrecadar falsas provas que jamais seriam descobertas como fajutas. A partir delas, simplesmente deixava de trabalhar.
Em verdade, seu modo de vida era bastante simples. Nada mais tinha como ética trabalhar o menos possível. Sabendo que isso não era nem aceito nem possível em um mundo no qual cada vez atarefava-se mais para ganhar-se menos, prezava o conforto e por isso mesmo driblava seus empregadores e pares.
Defendia-se dizendo que drible nunca foi ofensivo, se o ato objetivasse o gol. De fato, jamais deixou de atingir suas metas quantitativas e qualitativas nas firmas pelas quais passou. Dizia que traía não seus colegas ou chefes, mas a escravidão. E, por isso, não achava que estava fazendo nada de errado. O segredo de suas artimanhas advinha unicamente do fato de saber claramente que jamais seria compreendido.
Há quem lamente ele não ter podido sustentar sua ética.
Poucos anos depois foram sendo instituídas as colerias eletrônicas que conhecemos bem. Hoje, como todos nós, trabalhadores no planeta, ele também usa a sua, com o chip acoplado, o design de acordo com seu estilo de vestir (parece que a moda vai retornar aos anos 00 nesse verão). A câmera e o GPS denunciam com detalhes onde quer que ele vá, o que quer que ele faça, e tal controle está estendido a todos os que trabalham na organização que porventura o empregar - como naturalmente sabemos. O X9vismo virou
modo de vida, e isso não é novidade para todos nós em nossos tempos gloriosamente desenvolvidos. Foi o que buscamos e é o que logramos. E pensar que isso era usado somente para execução de penas alternativas lá por 2008, 2009!
O sabotador do trabalho perdeu qualquer possibilidade de existir.
Respiramos aliviados.

(Andei sabendo, porém, que ele, agora que está desempregado, anda pesquisando - com certa displicência inerente, como era de se esperar - a respeito de tecnologia de chips...)