13 de julho de 2008

Ossos


Escrevo para fazer durar o que há de bom.

Escrevo para cuidar de mim.

Escrevo para tentar sustentar um viver

um

dia

após

o

outro.





12 de julho de 2008

Corpo




"Escrevo para ficar só. Talvez escreva porque tenho a esperança de entender por que eu sinto tanta, tanta raiva de todos vocês, tanta, tanta raiva de todo mundo. Escrevo porque gosto de ser lido."
Orhan Pamuk (Discurso da cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de Literatura 2007. Estocolmo, 2006. In: A maleta de meu pai. São Paulo: Companhia das Letras, 2007)




Escrevo por raiva, nojo, confusão, ódio. Escrevo por orgulho. Escrevo porque quero que saibam. Escrevo para me distanciar de mim e de tantas partes de mim que odeio. Escrevo para que o tempo passe, e que passe muito rápido. Escrevo para esfacelar certezas e despedaçar o vago. Escrevo para que algum dia alguém me entenda sem que eu fale tanto. Escrevo para que um dia eu vá tão fundo mas tão fundo mas tão fundo sem me sentir completamente só. escrevo para um dia conseguir ficar inteira e completamente só. escrevo porque gostaria realmente de ser a pessoa mais egoísta do mundo, justamente porque fico indignada com a quantidade de gente que consegue e eu não. Escrevo para machucar, para fazer sofrer, para dar soco no estômago. Escrevo para não vomitar. Escrevo para esbofetear a tranquilidade. Escrevo porque odeio tanto, tanto, tanto o que passa por mim. Escrevo para para estuprar. Escrevo para surtar, deixar de ser paciente, para ser profeta de minha própria história. Escrevo para berrar. Escrevo para berrar tanto que minhas cordas vocais de fato se explodam e explodam o tímpano de alguém que eu queira muito. Escrevo para poder pisar em cima e para poder dizer o que não posso dizer a ninguém. Escrevo para perder a vergonha e a culpa. Escrevo para não perdoar. Escrevo para meter no rabo e ser metida e morder e rasgar e arranhar. Escrevo para saciar tudo isso que não cabe mais aqui. Escrevo para virar diabo e desafiar qualquer soberania. Escrevo para perder a noção de gênero e perder a noção da palavra. Escrevo para eliminar a razão e para eliminar o discurso. Escrevo para ser a pior, e por isso ser mais amada de todos. Escrevo para ser imbatível e amoral. Escrevo para me chicotear, para me escalpelar. Escrevo para puxar os cabelos da histérica e arrancar a juba do leão. Escrevo para fazer sangrar muito. Escrevo para cravar uma faca no coração e mexer ela bem devagarinho. Escrevo para que não usem os santos nomes de meus livros em vão. Escrevo para que não me roubem minha ilusão de posse. Escrevo para mijar em cima da erudição. Escrevo para que a voz cruze o mundo no meio. Escrevo para estilhaçar o passado e o futuro. Escrevo para irritar. Escrevo para passar uma foice na cana. Escrevo para decepar o bóia-fria. Escrevo para ter inimigos. Escrevo para ser insuportavelmente agressiva. Escrevo por excesso e por fascismo. Escrevo por falta de respeito e por falta de vergonha. Escrevo porque o que mais odeio é burrice. Escrevo porque amo sem limites. Escrevo para não ter lógica. Escrevo para sugar todo o líquido do meu corpo e fazê-lo jorrar a todos os machos e fêmeas. Escrevo para afogar. Escrevo para morrer. Escrevo para conseguir viver. Escrevo para acabar com o julgamento de deus. Escrevo para me perder. Escrevo porque quero esquecer.

11 de julho de 2008

fato alho




Hoje, no jornal Extra:


"No final da entrevista, a apresentadora perguntou se Beltrame tinha alguma mensagem para os pais de João Roberto e, ao responder, o secretário se atrapalhou:

- O que digo a esses pais, o que eu digo à sociedade é que o Rio de Janeiro não está sob controle. A cidade recebe dois milhões de turistas por ano. Copacabana, que é um bairro internacionalmente conhecido, teve três assaltos a carro. O Rio de Janeiro não está sem controle - disse, corrigindo-se depois que Ana Maria Braga chamou a atenção para o erro."






3 de julho de 2008

amor


.
.
.
quando estamos perto, me exacerbo.

me derreto.
perco as fronteiras de mim.
coisa simples,
e tão sofisticada.

muitas em muitas.
para o melhor uso do riso e do choro.
para um brilho incomum.
para qualquer coisa ficar leve.
ainda que a distância nos leve.
tanto vivido,
tanto por vir.
tanta coisa é dita,
e meia palavra bastaria.

na alegria e na tristeza,
na saúde e na doença,
até que algo
- mas tem que ser algo muito grande, algo muito forte, não basta ser a morte -
nos separe.
sempre amarei essas mulheres.





Alice, Camila, Maria, Maria, Paula: essa é pra vocês.








1 de julho de 2008

histeria


.
.
.
.
tipo de soslaio
meio ao fundo
quase que quase
como que coadjuvante
por exemplo: pela tangente
sabe, de canto
assim, de passagem
digamos que bola na trave
era nada mais que rasp
ando
.
.
.
.

27 de junho de 2008

mmmmmmmm





Mesmo em meio ao mês, mesclou-se em marasmo. Monitorou as manhãs, melhorou seus minutos, mas não se moveu muito. Manuseou manuscritos, matriculou-se em matérias magníficas e molhou-se no mar.

Mas os momentos de mestrado, manhosamente, são menores. Mas que monte de malandragem maléfica! Mágicas não movem montanhas. Nem mitos. Meras manobras.


Mexer-se, menina. Mansa, morna e muda. Há que metê-lo na mente que as marcas no monitor matarão a mesmice. Música, milongas: mais melodias e menos melancolia!

Mesmo em meio à madrugada, migrou do Mac* para debaixo dos mantos e ali manteve-se. Mañana será de máxima maneira.





*(quem dera. foi só pra ficar no "m".)

vagasvogais

.
.
.
.
ó que eu quebranto dos ossos
é que me come nas carnes
há que me alevanta os ares
ih que atravessa os vãos do corpo
uh que vaia o que for "I" fechado
.
.
.
.

19 de junho de 2008

A melhor decisão da semana:




ter perdido o jogo do Brasil pra ir no show do Caetano.

um arraso.






10 de junho de 2008

para estudar


parado o vento
faz alguém pensar:
lento de fiar
lento de cair
lento de des
en
re
dar

ainda assim
tento
em
tento
re
tento
dar

mas
len do éq ue
tal
vez
a len da
desv
enda
sua próp
ria
ren
da:

nada a des
velar

6 de junho de 2008

desmorono



uma dor tão sentida,
uma hora tão bonita,
uma luz a tilintar.

uma palavra tão bem dita,
uma cor tão decidida,
uma uma idéia a bailar.

dos versos incompletos
e dos dias mais imersos
esses loucos universos
de escrita que observo
estou de parabéns por tomá-los hoje como objeto desse meu admirar
já que desajeitado é esse jeito que me pegou desprevenida, preguiçosa
ainda que orgulhosa dos meus links.
saiam daqui e vão vê-los.

5 de junho de 2008



O site oficial do Grêmio volta a mandar uma mensagem de parabéns ao maior ídolo da história tricolor. O clube gaúcho homenageia Renato Gaúcho, técnico do Fluminense, pela classificação à final da Libertadores após a histórica vitória de 3 a 1 sobre o Boca Juniors, nesta quarta-feira, no Maracanã. Como jogador, o comandante do Flu ganhou a Libertadores e o Mundial pelo Grêmio. No domingo, os Tricolores de Porto Alegre e do Rio de Janeiro se encontram pelo Campeonato Brasileiro. Os porto-alegrenses dizem que vão aplaudir Renato, mas que também vão vencê-lo.

Confira a íntegra do texto:


"Nesta quarta-feira, jogando no Maracanã, o Fluminense venceu o Boca Juniors por 3 a 1. Com o resultado, o time carioca classificou-se para a final da Copa Libertadores da América, título inédito na história do clube.

No comando técnico do Fluminense, um vencedor. Renato Gaúcho, campeão da Libertadores e do mundo pelo Grêmio, luta para alcançar mais um título do torneio mais importante das Américas, desta vez como treinador.

Renato, parabéns pela classificação.
E, para a final, continue contando com a torcida da família gremista.

Boa sorte, Fluminense!
Boa sorte, Renato Gaúcho, eterno ídolo da torcida tricolor!

Domingo, te aplaudiremos, mas a vitória certamente será do Tricolor dos Pampas!"


fonte:www.globoesporte.com.br


30 de maio de 2008

Já ouvi falar que as pessoas não mudam.
Já ouvi falar que passam as estações, mas nada muda.
Que não tem jeito, que é a vida.

Eu não sei se essas pessoas já ouviram coisas falarem.
Eu não sei se essas pessoas já viram que muitas coisas e pessoas não são mudas.
Que elas mudam.

Só sei que o tempo mudou dentro da estação.
Só sei que a Maria fuma e a Paula come carne e o Fernando também gosta de meninas e a Marina se mudou .
Só sei que eu acordei cedo e fui pontual.
Só sei que as mudas da rua cresceram em árvores.
Que a vida não é.


Ela sempre está.

Bailamos todos

O Rio de Janeiro foi invadido por criaturas um tanto curiosas.
Aqui exibo algumas fotos que consegui tirar delas e de seus comportamentos bizarros, após ter estrategicamente me infiltrado entre elas.













Devo dizer: me juntei a eles. Adorei.

Queridos: saudades já.


22 de maio de 2008

Nenseeeeeeeeee



Renato, querido, geral está contigo!


O homem-gol leva Flu a um ponto inédito na história do clube e faz pose para os jornalistas depois do jogo, contemplativo, sentadinho no meio do campo. Impagável! Deve estar com saudade de estar onde um dia chegou com o imortal.
E ontem teve ainda o gurizinho Andershow, que acaba de acumular o título de campeão da Europa ao de campeão da série B. Claro que um pelo Manchester, outro pelo nosso glorioso. Ô beleza.

Bom ver os nossos egressos fazendo bonito por aí.


19 de maio de 2008

Clássico


ele cauteloso, eu pressão
ele comentarista, eu torcedora
ele segundo tempo, eu primeiro minuto
ele meio-campo, eu ataque
ele drible, eu bola pro mato
ele estratégia, eu tática
ele impedimento, eu carrinho
ele campeonato brasileiro, eu copa do brasil
ele maradona, eu herrera.



ambos a mesma camiseta.





4 X 0 pá nóis!

time que tá dando certo a gente não muda.




15 de maio de 2008

apêndice

pela finestra

funesta testa

(teve ressaca, dia seguinte)

13 de maio de 2008

poeminha fraco e safado

pela fresta se vê a culpa

pela fresta se vê o dia

pela fresta se vê o tempo sendo marcado

pela fresta

pela festa

pela(do)

poema concebido sem pecado



o despertador só acordou ao meio-dia.



o quarto fez ar de incenso depois das três.


a cozinha suspirou feliz com a louça lavada, às quatro.


a lavadora cuspiu roupa limpa e bem que se viu mais branca também. isso foi às duas.


umas roupas tenderam pra cabide ali por duas e meia.


e as uvas do meu esmalte nem ameaçaram cair.


mais à noite foi que meu estômago tomou cor de saúde, ainda que em pleno shopping.


e também lá é que os olhos dançaram um tanto.


mais tarde, lá por onze, os livros ainda me sussurravam das prateleiras da travessa.


a música ali era de um tom achocolatado.


que saudade que eu tava de um dia assim,

...de gente.

10 de maio de 2008

chega de choro

.
.

respeito muito minhas lágrimas
.
.
.


mas ainda mais minha risada.

.
.
.

6 de maio de 2008

las locas noches de domingo

das minha



descentralização



rrraaarrrrr




raio vermelho



sorriso colgate (ou o que sobrou dele)