17 de janeiro de 2008

Viração


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Era uma vez um Uruguai mucho más guapo de lo que lo sabía yo...



Um acampamento se erguia...



E uma cidade se pôs.



Havia fogo e fumo de sobra,



E caminhos tantos para tantas praias.




Havia amigos e sorrisos,



Havia sol e chuva,



Havia uma luz singular,



Havia muitos azuis,



Havia sombra pra quem quisesse,



Havia ondas para quem quisesse, mesmo que não soubesse,




Havia Patrícia e música!



Até Anita Garibaldi apareceu por ali.



E emas também passavam para fazer umas visitas vez que outra.



Em uma noite ímpar, fez-se fogo para assar.



Aguardentes de muitos tipos e violões e vozes se puseram a brindar.



E a luz despretensiosa e azulada fez-se intensidade amarelada.



Feiticeiras fizeram dançar e despertaram alguma coisa no ar.




Pulsação. Daqui a pouco, tudo ia virar.



Viração! Um céu mucho más estrellado de lo que lo sabíamos nosotros.


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15 de janeiro de 2008

Nas mãos dela

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"Para ser aceite no mundo dos homens, a Camila esquarteja-se como eles sempre se esquartejaram, separa o corpo do coração e os sentimentos do pensamento, constrói categorias abstractas como diques capazes de suster a lava ardente da vida. Dois esforços igualmente patéticos de inutilidade. Dois tempos girando em falso, ensurdecendo a voz absoluta do caos através da ruidosa coscuvilhice da Razão, deusa contemporânea que encontra no poder do seu discurso a vingança do esquartejamento que a fez nascer."


Inês Pedrosa, em "Nas tuas mãos".
Escritora portuguesa genial, extremamente feminina e talentosa.




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13 de janeiro de 2008

pela pele pelada da pele

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Interrompi a leitura na frase “a escrita trata”. A autora falava de um certo poder da escrita sobre “marcas-ferida”, que produzem em nós um estado de despotencialização no agir – poder de tratamento. Forçada por essas marcas, invisto na tentativa de dar alguma forma ao que insiste em me desassossegar.
Lendo o texto, sentada em minha cama, o sol quente de fim de tarde dourando o quarto, observo meus pés. Eles estão descascando. A pele grossa e vincada adquirida em alguns dias de acampamento na praia é na verdade pouco firme e superficial. Sai sem qualquer dificuldade, sem qualquer dor. As impressões digitais espiraladas escamam sem nenhuma cerimônia. Mas então por que em alguns pontos da sola do pé o que se quebra é a pele mais profunda, em rachaduras que se transformam em cortes doloridos cor escarlate? De repente, ali estão eles, sem terem dado um único sinal de que surgiriam. Simplesmente sinto as dores graves, olho o pé e nada vejo, e depois de algumas horas ali mesmo aparecem as feridas.
Literalmente uma troca de pele, penso. Algo sem autor, fruto do contato intenso com o solo. Mas não qualquer solo. Um solo que ao mesmo tempo fortalece e enfraquece o corpo. Torna a pele espessa para ao mesmo tempo erodi-la. Um tanto paradoxal, alguém diria.
Solos do sul, estes que pisei e que têm me pisado. Revisitados em uma típica virada de ano, já que até a cobertura do corpo está a se reciclar. O sol que agora banha o quarto de luz tênue definitivamente não é o mesmo, cru e implacável, da primeira aurora do ano. E, no entanto, sei que é. Um só, mas capaz de nuances radicalmente diferentes. Como o solo, o contato da pele com ele pode ser tanto potencializador quanto destrutivo, mas é nesta época do ano que eles nos fazem descascar. A pele cresce, escurece, mas nos engana: não fez-se graúda para melhor nos proteger. Cai.
Contatos diretos com a bola de fogo e a terra, encontros que nos fazem mudar nossa superfície de forma a fazer emergir outra. Efeito criação de outro invólucro para nossas carnes. Não sem alguma dor.
E nós, que ficamos a crer que essas transformações tão intensas acontecem apenas no encontro com as pessoas. Nós, que fazemos referência primordial às relações humanas e suas misteriosas profundezas. Nós, que falamos de subjetividade entupidos da certeza de sua relevância sobre a natureza, como se dela não fizéssemos parte. Queremos sempre falar da complexidade do homem, da mulher, seus insidiosos caminhos e tramas; por isso o vento, o mar, o sol e a terra viram figuras coadjuvantes das quais nos utilizamos para melhor explicar e mais simplesmente visualizar essas nossas existências. Tsc. Subestimamos outros encontros.
Agora entendo. É tudo ao contrário. E muito simples!

Eis que, olhando meus pés, encontros com gente nao passam de metáforas.
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Tem mais samba


Depois da tinta sair e do codigo de barras prevalecer numa esquina por ai, eis que aparecem agora umas tartaruguinhas.
Alguns diriam: Mas que cousa! Qual o nome disso?
Eu diria que se pode chamar do que quiser.

Pra mim, iso eh arte-resistencia.
E da boa.



8 de janeiro de 2008

leque num ovo?

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- Adoro teu blog, Alice. Linkei no meu.
- Mentira, Marcelo, tu nunca visita. Mentira não... melhor: invenção. É mais charmoso.
- Não, é verdade! cada vez que eu leio, me impressiono!!!!
- Tá. Brigada. Mas não posto há milênios.
- Pois é. Que foi?
- Preguiça. Sei lá. Esqueço dele. Tenho que escrever nele, tenho que escrever...
- Tsc. Que nada. Blog é que nem um relacionamento. De vez em quando precisa dar um tempo. Blog é pra isso.
- Tá certo. Boa. Isso me alivia. Só por isso vou postar alguma coisa idiota amanhã ou depois.
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30 de novembro de 2007

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DENTRO E FORA:
COMO FURAR O CHÃO
SEM FINCAR

COMO ANDAR NO FIO
SEM RESVALAR
ESCORREGAR O TEMPO

E SEM A PAREDE QUEDAR
QUANDO SABER DA HORA

DE NA PORTA PISAR


ENTRADA E SAÍDA:
PASSAR, NÃO FECHAR


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minha localização alimentar

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ali,ce.come ..............y.aki,soba
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13 de novembro de 2007

The past recedes

Cada vez mais me convenço que um bom filme é o que se aproxima do ato artístico de abrir para muitos sentidos. Saí do cinema ontem depois de ver o último filme do Babenco com algumas impressões, algumas dúvidas, mas certamente com algum peso.
A trama é dramática, bem ao estilo argentino, e mescla boas doses de loucura e neurose, evidenciando que a linha entre elas é tênue, pricipalmente quando se trata de amor. Frase que seria clichê se estivesse jogada nesse post, e não posta desta forma a partir do filme assistido - ele realmente nos leva para o meio desse processo.
Me surpreendi com algumas coisas que diz o diretor que li em uns sites (http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL152207-7086,00.html
http://www.tribuna.inf.br/anteriores/2006/julho/05/bis.asp?bis=cultura01), porque de certa forma ele romantiza uma história que, para mim, é triste. Tudo bem que a tristeza pode ser bela, mas essa possibilidade me sai mais fácil quando não é a tristeza limitante, abafada, reducionista que vai, volta e permeia as vidas dos personagens do filme.
Babenco julga ser o filme mais bem acabado de sua carreira - paradoxo irônico, já que o plot é justo uma relação que doentiamente parece não ter fim - e no entanto notam-se muitos furos, cenas que ficam meio sem sentido (ao contrário de outras, que abrem vários caminhos possíveis).
Irresistível fazer uma análise com a ajuda da psicanálise ou, em outras palavras, com a ajuda da clínica que tome a repetição e a diferença como motes operacionais. É sutil como vai-se expondo a nudez das mulheres e o resguardo esquivo do praticamente único personagem homem da história. Modos completamente diferentes (quase opostos, entre os gêneros; e muito diversificados na tendência à exposição, entre as mulheres), mas que conduzem sempre ao mesmo caminho de sintoma, repetição do mesmo, aprisionamento. Repare que Rimini (personagem de Gael) é vítima e autor de vários atos falhos (alguns nem tão falhos assim) que o mantêm nesse funcionamento. Talvez a que se abrisse à emergência do novo fosse a personagem Carmen, mas a ela também, lá pelas tantas, coube uma atitude fechada ao inesperado do paradoxo.
Portanto, difícil conceber como uma "bonita" história de amor que compreende uma separação. Tá mais pra feia (sem o mal-entendido de um filme feio). A frase do filme e do diretor "as pessoas não se separam: as pessoas se abandonam", cola esse trágico fechado em si mesmo aos finais de relacionamento. Melhor seria dizer que elas não se abandonam, mas sim permanecem umas nas outras, de outras formas. Nossa dificuldade é ser egoísta com nossas próprias vidas em relação a um encontro que acontece em certo momento - que pode ter prazo de validade até o final de uma vida ou no final de dois meses. Temos medo (ainda que às vezes imperceptível) de vir a ser outros, de compor o que fomos com o que podemos devir. E, para isso, há de se apostar nos encontros que possam ser alegres e saber dançar com os que já deixaram de ser.
Se eu fosse o Babenco, espalharia que quis mesmo mostrar uma feiúra que está por aí, que captura ao mesmo tempo em que capturamos. O filme é bom por causa disso.
E nunca é demais um pouco de Nietzsche para ver na história algo a impulsionar o inédito presente - ao invés de chafurdar no ressentir. Devinhemos, para que o retorno seja ritornelo, e não de um mesmo que faz sofrer.

9 de novembro de 2007

Saudade

O Rio é ótimo. Mas com o meu cabelo, não tem sido. Ou será que foi o corte? Por que, ó céus, por que eu pedi pra cortar mais a minha franja?
Porque ele não fica mais como ficava? Será que tenho que voltar a usar produtos de qualidade ao invés de xampu colorama a 3 pilas?



Quero...
...esse...

...meu...

...cabelo...

...de volta!



a cauda de um traço passa algures. um percurso de pássaro está por voar.



certo fio de meada trafega em linhas tortas

e erra.

de alguma forma um ar passeia pra cá
e lá
vai um vento de cauda.


um devaneio
de vir leve,
pousa.

6 de novembro de 2007

Eu nunca vi coisa mais bela

conexão supervia


caras estranhas em um pós-feijoada em Madureira


Diogo Nogueira, vozerão do pai


marrento pá caráááio


desafinado que só. melhor olhar a velha guarda, ali ó


papos



loucão, loucão


tic dum dum dum


varre-se o salão


vai-se a outro salão e sua-se à vera


eis o êxtase do malabar


uns tocam, outros dançam, todos bebem



23 de outubro de 2007

já era hora

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.agora eu não pago mais se receber ligações.
(21) 9405 3242
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(o que significa: não liguem pro antigo, pois agora é o número da filha do seu Isidoro.)
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22 de outubro de 2007

(corta) cola cintilante

brincadinha

1. Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2. Abra-o na página 161;
3. Procurar a 5ª frase, completa;
4. Postar essa frase em seu blog;
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6. Repassar para outros 5 blogs.

Ei-la:
"Por exemplo: se um triângulo existe, deve dar-se a razão ou causa em virtude da qual existe; se ele não existe, deve dar-se também a razão, ou causa, que impede que ele exista, ou, por outras palavras, lhe iniba a existência."

20 de outubro de 2007

vírgula

Acho que devo um elogio ao Rio.
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A traquinagem do povo. Ótima.
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Humor


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A vontade saiu pra passear um pouco.
Foi longe dos que de praxe detinham ela.
Foi pescar, dizem.
Ela mesma estava carecendo de um pouco de vontade.
Voltou, na maior cara-de-pau, como se sair dali nunca tinha feito.
Eu não contrariei, sabe como é vontade.
Bem de lua.

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Rio cenas III


Aulas

"Prof: São 16:50. Resolvemos ir p/ o bar. Venha conosco aqui no..."
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Saindo da aula. Vista trivial. Cotidiana.



Bia e suas idéias.



Cris e seus prólogos.


Alice e seus discursos.
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Ruth e suas paradas.

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Palavreando

Saiu uma vontade de Manoel de Barros.

Bifurar

Multidência

Acontecimar

Bricolagir

Polenizar

Devinhar o tempo

Tempestar uma cabeça

Barrear um Manoel.

11 de setembro de 2007

Rio coisas II

No Rio a gente vai sair de carro e tem um outro estacionado do lado do teu, em fila dupla. Aí o flanela tem a chave do carro, mas ele te pede pra tirá-lo, porque ele não dirige.
*
No Rio a gente sai de manhã e às 9 parece que o sol é do meio-dia. A gente pega engarrafamento na avenida Atlântica, mas não se importa. Nem dá inveja das milhares de pessoas que estão se exercitando na beira da praia. Vale só de estar vendo o Pão de açúcar no caminho pra aula.
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No Rio quase não buzinam se tu entra numa das centenas de avenidas de alta velocidade. Buzinam quando tu pára. Seja onde for, na situação que for, não pode é parar. No Rio se corre pá caralho.
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No Rio não te dão muito bom dia, muito boa tarde, não sorriem muito, nem te olham muito. Mas, de repente, do nada, te dão carona, te convidam pruma festa na casa deles, e, quando tu nem ia agradecer, o frentista te atende com uma simpatia sem igual. Impossível prever.
*
No Rio tu pode levar tiro de policial ou de bandido. Mas tu pode também andar de noite na rua, em muitos bairros, e não sentir medo. E é seguro. A Globo - e sei lá mais quem que nos enfiou na cabeça que no Rio é guerra constante -, é nojenta e mentirosa. Claro, não só por isso.
*
No Rio a gente pode correr ou caminhar ou andar de patins ou andar de skate ou andar de bicicleta na areia na ciclovia no calçadão na hora que quiser. Mas academia é o que mais tem em Copa. E Zona Sul, a rede de supermercados mais cara que eu já conheci. Mas se pode ir à feirinha de Ipanema ou a qualquer hortifruti e comprar as frutas legumes e verduras mais baratas que eu já vi.
*
No Rio as paredes são de favela. A sala de estar, a cozinha, os quartos são feitos de asfalto e prédios grudados uns nos outros. As casinhas mal acabadas estão sempre visíveis, como que decorando o cinza horizontal e organizado com o caos irregular semi-colorido e fascinante. As janelas são o mar, a lagoa e a floresta. As duas coisas sempre vistas, não importa onde tu esteja na cidade, são as favelas e o Cristo. Onipresentes.
*
No Rio os carros se enfiam num Rebouças cheio de fuligem. Em dois (ou três) toques, tu faz uma trilha pela mata Atlântica e não ouve absolutamente nada além do mico que passou de uma árvore pra outra.
*
No Rio as pessoas tão sempre gritando. Tu acha que elas brigam constantemente, mas não. Brincadeiras ou xingamentos, o negócio é falar. Até no super as velhinhas reclamam da fila pra pesar cebolas. Carioca odeia fila. E vive furando.
*
No Rio os azuizinhos não são azuizinhos. Usam um colete cinza de cooperativa de flanelas, mas trabalham pro governo. Eles são híbridos de parquímetros com flanelas. Tu dá dois pila pra eles, eles põem o ticket da prefeirura no limpador de pára-brisa e cuidam do teu carro. Dezenas de carros estacionam em cima das calçadas. Nunca vi serem multados.
*
No Rio tem um monte de gaúcho. Isso é bom, apesar de haver um fascínio dos cariocas expresso por meio de piadas de gaúchos gays. E fazem isso pra se aproximar, não pra implicar. Difícil lidar com isso. No Rio tem uma comunidade gay enorme. Nunca tinha visto tantos.
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No Rio dizem que precisam de legenda pra quando eu falo. "Afudê" é palavrão meio pesado, apesar de o "bah" deles ser "porra".
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Vai entender.
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Rio coisas

Essas ironias da cidade:

No bairro nobre de Ipanema, no miolo das boutiques e restaurantes caros, eis o Paz e Amor. Destoando na arquitetura e na cor dos clientes em contraste com os seus arredores, uma refeição de PF por seis pilas. Prato amontoado de arroz, feijão, costela e agrião, dá pra dois. E dois era o número de mulheres almoçando ali.
Um vestido de seis mil e, ao lado, comida farta por seis. Dividido por dois, três.

Só no Rio tem disso: a sobremesa saiu mais cara. Na melhor sorveteria da cidade pelo quinto ano consecutivo, uma bola de sorvete de jabuticaba - sem conservantes, sem corantes, sem gordura trans nem polpas congeladas - por seis reais. Uma verdadeira preciosidade.

No Rio, a sobremesa pode custar o dobro do almoço. Apenas a meia quadra de distância.

Ah, que maravilha.

28 de agosto de 2007

Rio cenas

grafites na rua do Vininha


Grazi e Batata no Bip bip


falando de aparelho do Bip bip.
Bia e Paulo Rasta à direita.



o namorado da Bia é o Sandro Goiano.
ao fundo, os músicos do samba.




soneca no meio da semana em Grumari.





a silhueta das montanhas e um certo friozinho de 20 graus.


























19 de agosto de 2007

First impressions

CARIOCAS SÃO BONITOS
CARIOCAS SÃO BACANAS
CARIOCAS SÃO SACANAS
CARIOCAS SÃO DOURADOS
CARIOCAS SÃO MODERNOS
CARIOCAS SÃO ESPERTOS
CARIOCAS SÃO DIRETOS
CARIOCAS NÃO GOSTAM
DE DIAS NUBLADOS

CARIOCAS NASCEM BAMBAS
CARIOCAS NASCEM CRAQUES
CARIOCAS TÊM SOTAQUE
CARIOCAS SÃO ALEGRES
CARIOCAS SÃO ATENTOS
CARIOCAS SÃO TÃO SEXYS
CARIOCAS SÃO TÃO CLAROS
CARIOCAS NÃO GOSTAM
DE SINAL FECHADO

Adriana acertou. Mas o leitor tem de ser atento: ela diz "sacanas", ela diz "não gostam de sinal fechado", ela diz "modrenos", expressões que carinhosamente criticam os cariocas. E repito: ela tá certa. No trânsito, pisca não existe e como em todos os lugares, prevalece a lei do mais espertinho. Pena que é uma lei moderna mesmo, e sacana. São alegres, simpáticos e craques, mas um tanto modernos demais. O contato é forte e expansivo, quase que por um medo do encontro. Enquanto na Barra tem-se de andar por uma hora e atravessar quatro portões gradeados (e identificar-se em todos eles) pra conseguir encontrar alguém. Já conhecido, por sinal.
Da nossa província, tenham em mente as vantagens.

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Sete dias de Rio não é nada. Quem sabe me pecho na rua com a gafanhota e trocamos uma idéia?

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18 de agosto de 2007

tripulantes

Foram três dias de gasolina, suor, frio, chuva, sol, perdas, ganhos, medos, tensões, gritos, confusões, risadas, pão integral (e não o colonial!!!), pastéis, músicas repetitivas e o melhor chope de nossas vidas.
Viva nós! We made it! E que pena que eu tive que ficar e vocês, ir.
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A-do-rei.
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Agora vejam se mudem as suas músicas de seus respectivos mp3s.
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diálogos

petry diz:
e como ta o dia aí?
ali.ce.fué diz:
lindo
ali.ce.fué diz:
24 graus
ali.ce.fué diz:
praia
ali.ce.fué diz:
peguei uma cor
ali.ce.fué diz:
tô chapada
ali.ce.fué diz:
e amo esse lugar
ali.ce.fué diz:
NADA MELHOR DO QUE FUGIR DO FRIOOOOOO
ali.ce.fué diz:
e agora tá todo mundo dormindo, é aquele clima pós almoço na praia, as pessoas dormindo, o sol começando a baixar, eu tô escutando Los Hermanos, a flor, mei baixinho...
ali.ce.fué diz:
nham nham nham
ali.ce.fué diz:
vou ali terminar a louça...
petry diz:
e eu to de ressaca num frio com chuva indo ver o tricolor
ali.ce.fué diz:
lamento muito
ali.ce.fué diz:
de verdade
ali.ce.fué diz:
acho inclusive que todos os gaúchos tinham que migrar pro Rio pra ficar perfeito.
petry diz:
é, inclusive o tricolor
ali.ce.fué diz:
é. isso mesmo!

10 de agosto de 2007

Pelo mundo

eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
cores de almodóvar
cores de frida kahlo, cores

passeio pelo escuro
eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
e como uma segunda pele, um calo, uma casca,
uma cápsula protetora

eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
filtrar seus graus
eu ando pelo mundo divertindo gente
chorando ao telefone
e vendo doer a fome nos meninos que têm fome

pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?
transito entre dois lados de um lado
eu gosto de opostos
exponho o meu modo, me mostro
eu canto pra quem?

pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
minha alegria, meu cansaço?
meu amor cadê você?
eu acordei
não tem ninguém ao lado

pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

Adriana Calcanhoto

8 de agosto de 2007




ir-se, ir-se.
livrar-se de livros, fotos, luzes, cachepôs, chapéus, quadros, móveis, imóveis.
destacar-se de grupos, encontros, rimas fáceis, calafrios.
desfazer-se de gentes e fazer malas.
voltar para fora, abrir caminhos.
nomadizar as bordas, os cabelos, o chão, os poros.
fincar-se em outro, em outros, em outra cidade, para alçar vôos de asa delta pela orla, pela beira, pela areia.
apostar mais, e ganhar, e perder, e deixar de ganhar, e vender, e emprestar-se um pouco.
ir-se e rir-se, desfalacer-se, multiplicar-se, correr demais para encontrar alguém.
olhar para trás, olhar para o lado, e temer, e ter, e ter, e desfazer-se, e desfazer-se.
não partir só, portar mundos, fundos, olhares, pactos, virtuais, mãos.
levar consigo malas, baús, afetos, mães, pais, tijolos e plumas.
deixar pedacinhos com muitos, máquinas e texturas e corpos e letras.
partir, partir-se, espalhar-se.
intensificar o que foi, o que há, o que pode ser.
e, quem sabe, ser.




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31 de julho de 2007

Mesa de bar


(da série "postei porque tava afim")



































29 de julho de 2007

Me aguarde! hohohoho


teimosa

Minuciosa formiga
não tem que se lhe diga:leva a sua palhinha
asinha, asinha.

Assim devera eu ser
e não esta cigarra
que se põe a cantar
e me deita a perder.

Assim devera eu ser:
de patinhas no chão,
formiguinha ao trabalho
e ao tostão.
Assim devera eu ser
se não fora não querer.

25 de julho de 2007

Historinha.

Era uma vez uma menina que não gostava de ler nem de escrever.
Nunca soube qual deles causava o outro. Em cada Natal ela sabia que iria para a casa da avó paterna e que ganharia o que a família gostava de chamar de "presentes educativos" - o que, para ela, era o mesmo que dizer "presentes chatos". Todos pacotes retangulares, densos, uns mais finos e outros mais grossos (ou devera ela já saber que existiam as palavras "delgado" e "espesso"?), empilhados ao redor de uma árvore bem pequenininha. Parados. O divertido era ver os nomes das primas recortados de revistas e jornais colados nos pacotes. Aquilo era divertido! Um belo efeito visual - apesar dela, na época, desconhecer esta expressão. No entanto, o conteúdo era sempre o mesmo: os monótonos livros.
Nada contra eles especificamente, bem pelo contrário: ela ouvia histórias toda noite, antes de dormir, lidas e contadas pela mãe. Mas não adiantava tentar fazê-la ler. Ela simplesmente achava que tinha muita coisa mais empolgante para fazer. Mesmo na escola, quando sua irmã deleitava-se com os livros obrigatórios a cada semana, ela só dava uma engambelada na professora e se safava de ler aquelas intermináveis páginas de tédio e corpo imóvel. Ela precisava se mexer, correr, falar, pular e se esconder. Descobrir coisas ao tocar nelas. Sentir na pele. Na hora de escrever, que vergonha sentia! Odiava as histórias que escrevia, não tinha jeito, aquilo não era pra ela! Ficava vermelha e não queria mostrar pra ninguém.
Só que se esconder é o que ela quis, muito tempo depois, quando entrou na faculdade. Todos ali eram bem crescidos - ela também! - e agora teria de ler, sim. Ainda conseguiu enganar professores (ou será que a si própria?) e não ler uma linha sequer de alguns livros, apesar de ir bem nas provas. O que eles não sabiam era que durante as aulas, ela fazia o que sempre fizera na infância: ouvia estórias. As estórias que os mestres lhe contavam. Com anotações minunciosas, ela gravava muito bem a teoria e caprichava nos exames. Ainda aí ela gostava de acreditar que a facilidade incrível que tinha com a língua portuguesa vinha de origens desconhecidas, como se tivesse nascido com um gene-livro-de-gramática, ao contrário do que sempre se comentava ("fulano escreve muito corretamente, isso é por ter lido muito!"). Ela não decorava regras; ela simplsmente sentia como era o certo para escrever. E secretamente desdenhava aqueles colegas que cometiam deslizes bobos. Enquanto isso, sua irmã, que sempre "escreveu melhor" do que ela, estudava jornalismo e produzia textos com todo gosto, deixando a família orgulhosa. Ela satisfazia-se em escrever o necessário.
Acontece que um dia era deparou-se com o inevitável. Teve de mergulhar nos livros. Não bastaram mais anotações em aula. Era como se alguém tivesse jogado ela dentro de uma piscina! Afogava-se em xerox, muitos xerox. E olha que nadar sempre tinha sido o forte dela. Caneta, sublinha, faz ficha. Sua irmã chegava a estranhar como se lia naquele curso! E a menina emburrou-se. Enfrentou meses e meses de oftalmologistas, dores de cabeça, madrugadas de leituras. Não gostava. Revoltava-se. Matava aula. Namorava. Passava bilhetinhos. Jogava papo fora. Agora sim, tinha decido, seria displicente, irresponsável, inconseqüente, desinteressada. Pela simples vontade de experimentar sê-lo, afinal nunca o tinha sido exatamente.
E foi por essa mesma curiosidade de tocar em coisas e pelo mesmo tédio com o mesmo que mesmo bem estável e feliz, saiu. Mandou-se, escafedeu-se, mudou-se, exilou-se. Quase dois anos sem estudar. Quase sem ler. Quase emburreceu. Voou o mundo, mas desesperou-se. Viu o quanto aprendia e aprendia com o que vivia, mas também tudo escapava como os balões de gás se nos escapam. Até hoje não sabe se sentia-se assim, meio vento, por uma ânsia generalizada e meio fútil de querermos sempre guardar tudo, reter tudo, chavear o diário e botar ele lá no fundo da gaveta... ou se por descobrir que o fato de só ela saber e lembrar daquilo tudo não era suficiente. Ao menos não para ela, que sempre foi inquieta.
Foi então que pousou. E tinha uma fome inominável. O cérebro roncava. Precisava ler. Precisava escrever, também. Era como se agora ela estivesse pronta pra sossegar e devorar um bom livro - com direito a molho caprichado e um bom suco! Palavras, linhas, parágrafos, quanto mais colorido o prato mais nutrientes tem, é o que dizem, e para ela quanto mais variedade lesse, mais vitaminada se tornaria. Teve um tempo em que até a mistureba foi demais, teve um pouco de indigestão. Desacelerou-se.
Eis que numa aula dessas ela conheceu um menino. Era um menino que tinha lido muito. Sabia muitas coisas mesmo. Coisas diferentes dela, até poque ele era bem diferente dela. Tinha viajado o mundo de outro jeito. Com o Marco Polo, por exemplo. Ela de repente gostou dele, nem sabia bem porquê. Esse jeito de gostar que é meio raro por aí, um jeito de gostar pelo que ele era. E não porque ele tivesse dado uma flor pra ela. Ou tivesse dito muita coisa pra ela. Aliás, ele não dizia muita coisa pra ninguém. Mas ela gostava que ele não dissesse. E gostava de tentar descobrir. Como sempre gostou: tocando. Pela simples vontade de experimentar.
E um dia ela estava conversando com seus amigos, com sua irmã, com sua mãe, e até com aquela avó que recortava e colava seu nome nos presentes educativos de Natal. E viu que queria mais isso: viver experimentando os livros. E um dia ela escreveu e não ficou com vontade de se esconder. Decidiu que ia mostrar sempre o que escrevesse! Foi então que ela teve uma idéia muito boa: ela ia levar uma vida em que se mexesse e tocasse nas coisas e experimentasse ao mesmo tempo em que lesse e escrevesse. Contou isso pra todo mundo de quem ela gostava, inclusive pro menino. Ele adorou a idéia e disse que ele também queria fazer isso.
E aí a menina, se sentindo meio burra, meio inteligente; meio fraca, meio forte; meio mesma, meio diferente, resolveu se mandar de novo. Mas não escafedeu-se, não exilou-se. Ela foi contar estórias e ouvir mais estórias. Ela foi tocar nas coisas e sentir na pele. Ela foi se esconder de vez em quando também. Ela foi voar num mundo bem mais pertinho.
Ela foi mas sabia que, em cada Natal, ela voltaria pra casa daquela avó, que nem existia mais, e sorriria ao ver aquela pilha de presentes educativos.

22 de julho de 2007

misstrago


Na despedida mais fake que já houve, o que não faltou foi:
pessoas, aquelas pessoas;
cerveja;
cara-de-pau;
gargalhadas;
brindes;
mentiras;
madonna;
momentos te considero;
verdades;
intervenções das quais não me lembro.
Amnésia pouca é bobagem.
Nada melhor que uma noite destas em que até parabéns me cantaram pra no dia seguinte dar as clássicas risadas a cada flash que irrompe na memória. E a cada um, retorno junto às horas passadas. De repente sair de Porto Alegre não só foi de fato adiado como também é como se não importasse. Porto Alegre é que nunca vai sair de mim.

11 de julho de 2007

feixes de folhas
....................fagulhas
..........................falésias
.................................falhas
rios de disparos
.....................discursos
............................díspares
.......................................dispersos
portos de pontos
.........................partidas
..................................pontes
...........................................partes


cruzamentos ....críticos.. ..... .camaleônicos.......catapúlticos
.................caóticos......catastróficos ............catados
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ei-los engendrados em estação estável eclética engatados enfáticos em elos
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......amorfos..........................................afáveis
...........amontoam-se..... arteiros .............alheios
................... .........alegres....... avoados .........a algo além ar
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e zás! zepelim a zarpar!
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Vir-a-ser

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ali, se fosse o acolá, ali seria lá, mas não seria ali C, mas ali se ia um D como se Lá fosse Dó e ali Sí ao invés de ali Sol... porque ali sempre só... tem o sol de lá em si sem dó...ali será?
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by Fruet

5 de julho de 2007

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imperdível
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o que der na telha!

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4 de julho de 2007

Conjuguemos






beber.







gargalhar.







não estar (nem aí).







desconfiar.





equilibrar




cair.