21 de outubro de 2008
Reeditando II (05/2006)
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de tanto vento, paira.
observa quase levitante a batalha à sua volta.
corpos. olhos. cotovelos. cantos de olhos. cantos.
gira tangenciando durezas, amolecendo o chão.
seu chão, pode dizer.
em dança inventada à medida que dança.
seu corpo, pode dizer.
em curvas inventadas à medida que ama.
e ama, ama, ama. dilata a gama
do que é sensível.
leva o sangue a órgãos de prazer e deixa passar.
desfaz-se de órgãos em nome da leveza de insustentavelmente ser.
não mais é - está.
mescla os movimentos em nome da certeza de quase vir a ser.
não mais gruda - desliza.
passeia Dionisa por peles molhadas. as molha.
tudo o que toca, vibra.
desde aquele dia em que vestiu-se de poesia, é bem mais feminina.
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Uma dessas de colar na parede II
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espera...
virão
por cima da minha geração
geração
(...)
Não se preocupe com o tempo
se passa ele pra trás
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essa também não é minha
Reeditando I (06/2007)
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Necessita-se de riqueza. Moedas, quem sabe-se lá. Especiarias de polietileno e poliamida.
Há de descosturar-se. Desentupir-se. Sentido de sonho.
Tupi. Literar-se. Mais Protuguês. Mais leitura. Mais envergadura. Mais bragança.
Uma opção pela léxica cultura e pela côncava saúde.
Uma porção de antissépticos e adstringentes para espectorar-se, advertir-se, adonizar-se.
Derrubar umas notas guardadas e umas prateleiras atrolhadas para sujar-se e limpar-se hipoalergenicamente.
Massa branca e massa cinzenta em alternância dulocrática. Fibrilação neuro-cardíaca.
Investigar-se, instigar-se, intrincar-se em imanantes imundícies inducorantes.
Indignar-se. Iodar-se.
Amidar-se em glúten. Acidular-se. Advir-se. Adivinhar-se.
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Quero outrar-me. Ser 100% algodão. Lavar à mão com água fria.
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Ei, senhor, fique!
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Uma metereologista falou (provavelmente na rádio Band news) e o Danichi me contou: esta é uma primavera perfeitamente NORMAL, depois de anos e anos com primaveras sob efeito de algum fenômeno infantil (la niña ou el niño). E ela é clara: "A primavera é isso mesmo, um período de TRANSIÇÃO. Não é uma estação quente. E sim isso que estamos vivendo".
Pois pois. É por esse motivo que eu digo: que venha o fim de novembro. Sai-se da primavera, entra-se no verão, mas ainda não está aquele calor com o qual suamos tomando banho frio.
(Sim, sim, também pra vir o meu niversaire e poder dar um festão aqui em casa, com direito a visita ao senhor esse no outro dia de manhã, na praia. Talvez assim aquelas criaturas das terras mais austrais e aquelas ilhadas lá no velho mundo se sintam compelidas a vir também...)
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18 de outubro de 2008
De patas pro ar
Estou com Roth, que respondeu: "Fico feliz. É relevante!"
(cada uma que até parece duas)
16 de outubro de 2008
12 de outubro de 2008
Classificada.
Esquadrinhada.
Tentaram mantê-la nos contornos da moral.
Tantaram prendê-la nos arrebaldes da justiça.
Tentaram reduzí-la ao espaço da lógica.
Ainda tentam.
Ela enlouqueceu.
Descontrolou-se.
Caotizou-se.
Pôde mostrar-se infame.
Pôde mostrar-se cruel.
Pôde mostrar-se injusta.
É e sempre foi rebelde livre obscena filha-da-puta feia sexy pirada alegre careta insana bela explosiva eloqüente suave agressiva arrebatadora incontrolável escorregadia simples.
É bonita e é bonita.
Arrasa-nos e nos arrasta.
6 de outubro de 2008
30 de setembro de 2008
a diferença de um campeão para um banana
Declaração de Mano Menezes:
“Nós gaúchos sempre pensamos que o mundo tá um pouquinho contra a gente, isso é uma característica nossa, ficamos lá na ponta do país então você olha tudo para cima, pensa que sempre tá todo mundo contra, eu respeito isso porque sempre a gente acha que as coisas são contra a gente. (...) Então dá o direito do Grêmio reclamar, assim como alguém falou que quando o Grêmio ganhou um jogo lá do Ipatinga, né, o gol foi de falta que tava ajudando o Grêmio eu ouvi isso aqui também."
Domingo, 28 de setembro de 2008, 12h47 às 13h16
De Londres, Luiz Felipe Scolari, atual técnico do Chelsea, acompanha o Campeonato Brasileiro. Na briga de Palmeiras e Grêmio pela liderança do torneio, ele manifestou preferência pelo time gaúcho.
"É claro que se for o Grêmio, a gente vai ficar bem contente, porque é meu clube de coração desde criança", afirmou o gaúcho de Passo Fundo em entrevista à TV Globo.
Por outro lado, Scolari falou com carinho sobre o Palmeiras. "Depois de ter passado três anos e meio no Palmeiras e pelo relacionamento que ainda tenho no dia-a-dia com o clube, quem ganhar está ótimo para mim".
Mano, quer um dia ser como Felipão, ou tua ambição é eternamente essa da série B? Faz favor de mostrar um pouco mais de caráter. Mal foi a São Paulo, já baixou a cabeça pra imprensa paulista. Virou amiguinho. Esperto e medíocre. Nos levantou em uma época ruim, sim, somos gratos, mas não cospe no prato que comeu, pelamor de deus, senhor fã de série B.
Já Felipão nunca foi tão lembrado e celebrado: bons tempos em que tínhamos um técnico humilde e com ganas de vencer. Alguém que, mesmo em Londres, segue gremista, assim simplesmesnte, como um Patrício, por exemplo, que é gremista porque é gremista, e não por razões políticas. Scolari segue gremista e respeitoso para com o outro clube que o acolheu e ao qual deu alegrias. Elegante na simplicidade, nada mais. Não há mistério.
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Sobre o nosso atual técnico, me disseram hoje de manhã uma verdade: agora será o embate entre a mística do Grêmio e a mística do Roth. A tendência de um técnico que sempre começa bem e desanda no final X a tendência de um time que sempre tem tudo pra perder, mas vence.
Dá-lhe Grêmio, sempre
27 de setembro de 2008
26 de setembro de 2008
23 de setembro de 2008
Mais
Mais uma série nova.
Mais uma Alice de cabelos castanhos, curtos, de 25 anos.
Droga.
Lá se foi o tempo em que Alice era um nome um tantinho raro e eu podia dispensar apelidos.
Vai saber.
Quem sabe essa me inspira a uma visita a São Paulo, cidade por tanto tempo do meu pai, mas de um jeito diferente. Agora, que tô pertinho.
intervenções sex & the city III
intervenções sex & the city II
20 de setembro de 2008
Extremismo
O mais feminino que há em ser mulher não é o absolutismo do cor-de-rosa.
FUTEBOL e SEX & THE CITY
uma movida
18 de setembro de 2008
de uma outra memória
Leu em Nietzsce que toda célula do corpo contém memória.
Aquilo a acometeu.
Cometeu então um pensamento.
(Uma vez, num cara que já lera Nietzsche, leu que algo pensara nele.)
Foi com o corpo.
Fez resistência.
Percebeu a diferença de exercitar esse gesto.
(Não era forçar um músculo, e sim aprimorar as técnicas de fortalecimento deste.)
Uma lembrança de meditação invadiu seu habitat.
Uma idéia muito clara de prelúdio também.
Casa invadida.
Tratava-se de luta, de repente soube.
Sentiu a lufada de ar no ventre.
Pulsações em alguns músculos.
E então outra rajada: o significado de pequena morte, em francês.
A pequenice arrombou suas células em um tamanho gigantesco.
Por ora, bastava de fazê-lo ali, sozinha.
O resto teria de acontecer na rua,
com:
Desceu as escadas correndo.
Mal podia esperar colocar os pés na calçada.
Desejava cometer muito.
13 de setembro de 2008
10 de setembro de 2008
intervenções da rainha II
8 de setembro de 2008
Para ficar de mãos vazias
Os dias agora eram de um índigo. Algo da viscosidade tinha se diluído e por isso agora algo fluía. Não fácil como líquido, no entanto menos pegajoso. O ar seguia úmido, mas ao menos agora chovia, ao invés de estar tudo carregado em nuvens que densificassem a casa, a atmosfera, a rua, o corpo e o chão.
Depois dessa lista ela continuava a não saber quem ela era, mas sabia o número indefinido de coisas que podia fazer."
7 de setembro de 2008
6 de setembro de 2008
3 de setembro de 2008
copiei e colei de www.divagacoesapenas.blogspot.com
)uma lufada de ar e um convite pra visitar meu linchado: apenado(
quem faz um poema abre uma janela
respira,tu que está numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
por isso é que os poemas tem ritmo
- para que tu possas profundamente respirar
quem faz um poema,salva um afogado
mario quintana
2 de setembro de 2008
doses cavalares
- Libere a ação política de toda a forma de paranóia unitária e totalizante.
- Liberte-se das velhas categorias do Negativo (a lei, o limite, a castração, a falta, a lacuna) que o pensamento ocidental por tanto tempo manteve sagrado enquanto forma de poder e modo de acesso à realidade. Prefira o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas, considere que o que é produtivo não é sedentário, mas nômade.
- Não imagine que precise ser triste para ser militante, mesmo se a coisa que combatemos é abominável. É o elo do desejo à realidade (e não sua fuga nas formas da representação) que possui uma força revolucionária.
- Não se apaixone pelo poder.
Trechos do texto de Michel Foucault "Anti-Édipo: uma introdução à vida não-fascista", prefácio do livro de Gilles Deleuze e Felix Guattari "Anti-Édipo".
mote
E são essas dores de espinha que agudecem a cabeça E todos esses móveis que se depositam na poeira E muito desse encardido da rua que ameaça o carro E um tal hiato de tempo que convida o vazio E nisso um apanhado de possíveis despistados E essas borboletas que desassossegam o ventre E essas outras mariposas que levantam a sala em vôo E algumas promessas despretenciosas que convocam E a velocidade altiva da rapidez imposta E por fazer, o fazer por E também as páginas, as páginas, (idas), o encardido das páginas,
os poemas
vazios
a poeira das palavras por fazer.
25 de agosto de 2008
copiei e colei de www.nomesbarcelona.blogspot.com
jueves, agosto 21, 2008
Todos no Gasômetro na quinta!

Curta premiado Perro en el Columpio é exibido em Porto Alegre
O curta-metragem Perro en el columpio (Cachorro no Balanço, 2008) será exibido em Porto Alegre na próxima quinta-feira, dia 28 de agosto, às 20h 30min, na sala PF Gastal (Usina do Gasômetro).
Dirigida por Eduardo Rabin, a produção hispano-brasileira foi premiada como Melhor Drama, Melhor Roteiro e Melhor Atriz na oitava edição do festival de curtas-metragens 15/15 Film Festival (www.filmfestival15.com), que aconteceu simultaneamente em cinco países do mundo, em Março deste ano.
Sediado na Austrália, o festival tem uma proposta original, desafiando os concorrentes a filmarem e editarem em 15 horas um filme de até 15 minutos. Os cineastas ainda têm mais um obstáculo: instantes antes da filmagem, a equipe recebe uma frase secreta e um objeto que devem ser usados no enredo da maneira mais criativa possível.
Um grupo de seis jovens gaúchos radicados em Barcelona concorreu com o curta Perro en el Columpio e levou três prêmios para casa. Agora, a obra ganhadora está rodando o mundo, já que estão previstas sessões em todas as 29 cidades participantes do festival. Porto Alegre, cidade natal de Eduardo Rabin, Olavo Amaral, Carolina De Marchi, Eduardo Ioschpe, Ilana Stein e Cristina Hentscke não poderia ficar de fora deste roteiro.
A projeção tem entrada gratuita e será apresentada por Eduardo Rabin e Olavo Amaral.
Perro en el columpio - Equipe:
Produção: Carolina De Marchi e Eduardo Rabin
Direção: Eduardo Rabin
Roteiro: Olavo Amaral, Eduardo Rabin, Carolina Llacher.
Fotografia: Eduardo Ioschpe
Arte e Figurino: Cristina Hentscke e Ilana Stein
Som: Daniel Bayón
Elenco: Carolina Llacher
Uma produção de: Andarela Produções
Mais informações: Carolina De Marchi (carol2411@gmail.com), Olavo Amaral (olavoamaral@yahoo.com.br) e Eduardo Rabin (egrabin@gmail.com).
Ela vem aí.
A mulher tá nos seus "fifty and fabulous".
A mulher vai lotar estádios, como já vem lotando.
A mulher vai cantar as mais clássicas em uma das maiores e mais grandiosas turnês de seus 25 anos de carreira.
A mulher inclusive está com toques bastante políticos em seus shows.
A mulher já vendeu 50 mil ingressos no Rio de Janeiro e 110 mil em São Paulo, em uma simulação pré-vendas.
20 de agosto de 2008
18 de agosto de 2008
- Um dia será o mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa mas seremos um só.
Olhou para Ulisses com a humildade que de repente sentia e viu com surpresa a surpresa dele. Só então ela se surpreendeu consigo própria. Os dois se olharam em silêncio. Ela parecia pedir socorro contra o que de algum modo involuntariamente dissera. E ele com os olhos úmidos quis que ela não fugisse e falou:
- Repita isso que você disse, Lóri.
- Não sei mais.
Mas eu sei, eu vou saber sempre. Você literalmente disse: um dia será o mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa mas seremos um só.
- Sim.
Lóri estava suavemente espantada. Então isso era a felicidade. De início se sentiu vazia. Depois seus olhos ficaram úmidos: era felicidade, mas como sou mortal, como o amor pelo mundo me transcende. O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda, que já está começando a me doer como uma angústia, como um grande silêncio de espaços? A quem dou minha felicidade, que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta. Não, não quero ser feliz. Prefiro a mediocridade. Ah, milhares de pessoas não têm coragem de pelo menos prolongar-se um pouco mais nessa coisa desconhecida que é sentir-se feliz e preferem a mediocridade. Ela se despediu de Ulisses quase correndo: ele era o perigo.
16 de agosto de 2008
14 de agosto de 2008
Roma
amor, onde está o amor?
onde está?
onde?
você apontou, eu não vi
você me disse, eu não ouvi
não
o
vi
O que é amar?
amar é...
perder
torcer
apostar
soltar
ou
prender?
ou ou e?
ou e e.
dar
comer
lamber
não dizer
escutar
mandar pastar
estar
mandar
amor é dor - diz o poetinha
pra quê rimar amor e dor? - diz o feliz e mau
e fico com a resposta das crianças
amar é...
verão e inverno
tapas e beijos
senso comum
brega
(só o amor, mesmo, esse cara bizarro
pra ser brega e morar na filosofia)
e eu?
eu sei lá onde fico
o que é isso de eu
com quem fico
masonde está?
onde está?
onde está?
onde está?
nos lambe-lambes da Osvaldo
no Teatro São Pedro
o que é?
o que é, o que é?
o que será que será?
o que será que me dá?
o que eu ganho com isso?
se trata de ganhar?
de perde?
do que se trata?
se trata?
é doença?
que porra é essa de metade da laranja?
o que eu tenho a ver com essa porra que não é minha?
sei lá: cei.la eu
cadê o vento, a.ventura, a fila do pão?
onde estará?
fazia muito frio
achei um livro no depósito da vó e ele dizia
A primavera é um eterno começo...
e tinha, sim, reticiências.
não saber
não saber
não saber
não saber
não saber
31 de julho de 2008
Na rua dela corre uma lava.
Os dias nessa rua seguem tristes.
Alguns picos de sorriso.
Aliás, nada de muito sal.
Mais uma viscosidade doce.
Seca.
Nem o inverno está lá muito cortante.
Corte seguem não tendo, os cabelos.
Nenhum vento que os movimente.
Nenhum ponto no horizonte.
Quiçá um muro.
Ao menos uma linha.
Pedra e piche de mel, deve ser.
Nenhuma alma penada para emprestar as penas.
Nem um socorro.
A Lóri de Clarice assopra que é preciso aprender.
Pode ser.
E, no entanto, sopro não há.
Ela mesma ama o nada, por ser eternidade.
E querer eternidade.
Três mil anos, para nós.
E alguns minutos para os ponteiros do relógio.
Nem um sopro.
Nem um ponto.
Alguns picos.
Alguns dentes.
Mas a primavera não está entre eles.
No entanto,
Neste tanto,
Num intento,
Perseveramos,
já que é preciso viver
apesar de.
24 de julho de 2008
sete maravilhas
é maravilhoso:
fazer a maior goleada da história do time em brasileiros.
fazer a maior goleada do campeonato.
fazer a segunda maior goleada em campeonatos brasileiros desde que passou a ser por pontos corridos.
fora de casa.
ter um jogão pra ver no domingo.
mas o melhor de tudo mesmo, hoje, é sair de casa com a camiseta do meu amado time, numa cidade de uma homogeneidade rubro-negra que ignora a potência do tricolor gaúcho.
(perdeu, mané!)
e que venha o gre-nal.
23 de julho de 2008
PIADA
O FUTEBOL BRASILEIRO É UMA GRANDE PIADA.
O FLAMENGO É UMA GRANDE PIADA.
NÃO SATISFEITO COM UM PÊNALTY INEXISTENTE, O JUIZ MANDA VOLTAR, ASSIM QUE IBSON ERRA.
BOM, MAS A VIDA É MAIS DO QUE ISSO.
E ELE ERRA DE NOVO.
AMANHÃ, MEUS AMIGOS, A VITÓRIA TRICOLOR É OBRIGATÓRIA.
20 de julho de 2008
Estilismo
Algo de obsceno deitava-se na superfície da cidade àquela hora. O dia, com sua luz inusitada, violava a lembrança de um cenário preservado como escuro. "Não cai bem a bairros boêmios esse agudo do sol", pensou. E ao mesmo tempo caía. Como roupas acinturadas em quem costuma usar panos soltos. Um pouco agressivo, mas mesmo assim gracioso. Mangas francesas estampadas. Algo de prosa em poema, quiçá vice-versa. Deu-se conta que esse sonho acordado da tarde era contaminado por resíduos da noite.
As paredes ganhavam outro colorido. Os raios embrenhavam-se nos entre-prédios e atingiam mais paredes. Mais cores. O cinza das pedras ganhava um cintilante dourado. "Veludo", pensou.
(O centro ontem à noite era farto em vazios repletos de movimentos por se fazer. Corridas, saltos, gritos. Percebera então que tal acontecimento era o oposto do dia. E aqueles bairros boêmios de agora, no entanto, eram o oposto desse oposto: a luz é que tornava-os sedutores.)
Arranhou então a avenida mais arranhada; era a avenida mais estuprada e também a mais oferecida. Um corpo prostituído. Teve prazer ao se lembrar que gosta do que é sujo. Este bairro já era bem mais kitsch. "Plástico", pensou. Os blocos de concreto formavam uma apoteose funda para passagens velozes. Máquinas. Cápsulas. Rodas. Borracha. Vidro. Estilhaços. Neon gasto. Esquadros. Tudo enquadrado. Sorriu ao chacoalhar quando passou por um buraco enorme, apesar de lamentar o furo do pneu. O chão escuro e duro era líquido, já sabia. "Piche", pensou. E também pensou se o chorinho que preenchia sua máquina veloz podia vazar e ganhar alguma pausa em algum corpo naquele vão fundo da apoteose. Torceu para que isso acontecesse. Consolou-se ao se lembrar que dissera ontem: por mais que tentemos catar borboletas com redes, elas podem sempre ter furos. Uma borboleta foge. Um inseto adentra. Torceu para sua rede ser sempre furada.
(O vidro do escafandro embaçou. Trocou a estação do rádio: não queria mais chorinho.)
A lentidão do mar acenava naquelas últimas entre-quadras que apareciam feito slides. Sorriu em saber que alguns surfistas haviam sido salgados pelas ondas e que adocicariam em banhos quentes. Pensou no calor tipicamente masculino. Pensou nas mínimas diferenças de homens e nas mínimas diferenças de mulheres. Pensou nas mínimas diferenças. As ruas já outra vez insinuavam uma iluminação delicada e faziam-se mais superficiais. Lembrou-se de sua própria luz obscena. De sua própria boca. De sua própria superfície. "Cetim", desejou.
phusão
Lá estavam, os professores eruditos. A três degraus de nós, numa diferença, porém, que não era porta-voz da erudição. Havia algo de muito óbvio e de muito visível - e, no entanto, incaptável - que fazia cuspir deles uns cantos e cores tão bonitos, tão luzidos. Uns digitais, uns metais e uns corpos conversavam entre si.
Mesmo nós, que apreciávamos, nos sentíamos assuntos da conversa.
(E ainda teve o momento em que o piano e a flauta tenderam para berimbau.)
Foi assim.
19 de julho de 2008
Ah, os Michéis...
"A dificuldade está em que não basta viver exatamente conforme a norma. De fato, consegue-se (às vezes de raspão, no limite, mas, enfim, no conjunto se chega lá) viver segundo a regra. Impostos pagos. Contas
Contudo, você não tem amigos."
Michel Houellebecq, "Extensão do Domínio da Luta"
18 de julho de 2008
pra mim, o Vininha era bem subversivo.
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
17 de julho de 2008
olha pela janela e verás!
paulinha diz:
fui ver o filme bem solita
paulinha diz:
e tb lembrei muito de ti
paulinha diz:
chorei que nem uma louca
paulinha diz:
e deu um apertão
paulinha diz:
de saudade
alice. diz:
hahaha que amor
paulinha diz:
fiquei te imaginando no cinema sozinha tb e pensando na gente
alice. diz:
que filme foi ver?
paulinha diz:
sex and the city
alice. diz:
aaaaaaaaahhhhhhhhh
alice. diz:
pois é, esse filme era pra ser visto com as amigaaaaaaaaaasssss, bem assim.
paulinha diz:
e lembrei da gente vendo lá na cobertura num sábado ou domingo depois de uma noite de porre
paulinha diz:
ou de uma noite de depre sem sair de casa
paulinha diz:
ou de uma ligação do gatinho
paulinha diz:
ou depois de uma não-ligação de um otário
paulinha diz:
enfim...
a noite cai e ela pensa: que bom, uma boa noite de sono. a febre ajudará.
a tristeza de alguma forma se fez terna. e exata. a acaricia.
fez-se melancolia.
a mesma que aviltou o corpo e a mesma que a virou do avesso. ora era cólera.
agora é melancolia.
a mesma que a jogou num vão e a mesma que ela mesma fabricara. certa feita era raiva.
eis assim, melancolia.
a mesma que a embriagara, a mesma que a despertara para equívocos imperdoáveis. fora angústia.
ora, agora era a viscosa e doce melancolia.
15 de julho de 2008
13 de julho de 2008
12 de julho de 2008
Corpo
"Escrevo para ficar só. Talvez escreva porque tenho a esperança de entender por que eu sinto tanta, tanta raiva de todos vocês, tanta, tanta raiva de todo mundo. Escrevo porque gosto de ser lido."
Orhan Pamuk (Discurso da cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de Literatura 2007. Estocolmo, 2006. In: A maleta de meu pai. São Paulo: Companhia das Letras, 2007)
Escrevo por raiva, nojo, confusão, ódio. Escrevo por orgulho. Escrevo porque quero que saibam. Escrevo para me distanciar de mim e de tantas partes de mim que odeio. Escrevo para que o tempo passe, e que passe muito rápido. Escrevo para esfacelar certezas e despedaçar o vago. Escrevo para que algum dia alguém me entenda sem que eu fale tanto. Escrevo para que um dia eu vá tão fundo mas tão fundo mas tão fundo sem me sentir completamente só. escrevo para um dia conseguir ficar inteira e completamente só. escrevo porque gostaria realmente de ser a pessoa mais egoísta do mundo, justamente porque fico indignada com a quantidade de gente que consegue e eu não. Escrevo para machucar, para fazer sofrer, para dar soco no estômago. Escrevo para não vomitar. Escrevo para esbofetear a tranquilidade. Escrevo porque odeio tanto, tanto, tanto o que passa por mim. Escrevo para para estuprar. Escrevo para surtar, deixar de ser paciente, para ser profeta de minha própria história. Escrevo para berrar. Escrevo para berrar tanto que minhas cordas vocais de fato se explodam e explodam o tímpano de alguém que eu queira muito. Escrevo para poder pisar em cima e para poder dizer o que não posso dizer a ninguém. Escrevo para perder a vergonha e a culpa. Escrevo para não perdoar. Escrevo para meter no rabo e ser metida e morder e rasgar e arranhar. Escrevo para saciar tudo isso que não cabe mais aqui. Escrevo para virar diabo e desafiar qualquer soberania. Escrevo para perder a noção de gênero e perder a noção da palavra. Escrevo para eliminar a razão e para eliminar o discurso. Escrevo para ser a pior, e por isso ser mais amada de todos. Escrevo para ser imbatível e amoral. Escrevo para me chicotear, para me escalpelar. Escrevo para puxar os cabelos da histérica e arrancar a juba do leão. Escrevo para fazer sangrar muito. Escrevo para cravar uma faca no coração e mexer ela bem devagarinho. Escrevo para que não usem os santos nomes de meus livros em vão. Escrevo para que não me roubem minha ilusão de posse. Escrevo para mijar em cima da erudição. Escrevo para que a voz cruze o mundo no meio. Escrevo para estilhaçar o passado e o futuro. Escrevo para irritar. Escrevo para passar uma foice na cana. Escrevo para decepar o bóia-fria. Escrevo para ter inimigos. Escrevo para ser insuportavelmente agressiva. Escrevo por excesso e por fascismo. Escrevo por falta de respeito e por falta de vergonha. Escrevo porque o que mais odeio é burrice. Escrevo porque amo sem limites. Escrevo para não ter lógica. Escrevo para sugar todo o líquido do meu corpo e fazê-lo jorrar a todos os machos e fêmeas. Escrevo para afogar. Escrevo para morrer. Escrevo para conseguir viver. Escrevo para acabar com o julgamento de deus. Escrevo para me perder. Escrevo porque quero esquecer.
11 de julho de 2008
fato alho
Hoje, no jornal Extra:
- O que digo a esses pais, o que eu digo à sociedade é que o Rio de Janeiro não está sob controle. A cidade recebe dois milhões de turistas por ano. Copacabana, que é um bairro internacionalmente conhecido, teve três assaltos a carro. O Rio de Janeiro não está sem controle - disse, corrigindo-se depois que Ana Maria Braga chamou a atenção para o erro."
3 de julho de 2008
amor
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quando estamos perto, me exacerbo.
me derreto.
perco as fronteiras de mim.
coisa simples,
e tão sofisticada.
muitas em muitas.
para o melhor uso do riso e do choro.
para um brilho incomum.
para qualquer coisa ficar leve.
ainda que a distância nos leve.
tanto vivido,
tanto por vir.
tanta coisa é dita,
e meia palavra bastaria.
na alegria e na tristeza,
na saúde e na doença,
até que algo
- mas tem que ser algo muito grande, algo muito forte, não basta ser a morte -
nos separe.
sempre amarei essas mulheres.
Alice, Camila, Maria, Maria, Paula: essa é pra vocês.
1 de julho de 2008
27 de junho de 2008
mmmmmmmm
Mesmo em meio ao mês, mesclou-se em marasmo. Monitorou as manhãs, melhorou seus minutos, mas não se moveu muito. Manuseou manuscritos, matriculou-se em matérias magníficas e molhou-se no mar.
Mas os momentos de mestrado, manhosamente, são menores. Mas que monte de malandragem maléfica! Mágicas não movem montanhas. Nem mitos. Meras manobras.
Mexer-se, menina. Mansa, morna e muda. Há que metê-lo na mente que as marcas no monitor matarão a mesmice. Música, milongas: mais melodias e menos melancolia!
Mesmo em meio à madrugada, migrou do Mac* para debaixo dos mantos e ali manteve-se. Mañana será de máxima maneira.
*(quem dera. foi só pra ficar no "m".)
vagasvogais
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ó que eu quebranto dos ossos
é que me come nas carnes
há que me alevanta os ares
ih que atravessa os vãos do corpo
uh que vaia o que for "I" fechado
.
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19 de junho de 2008
10 de junho de 2008
para estudar
faz alguém pensar:
lento de fiar
lento de cair
lento de des
en
re
dar
ainda assim
tento
em
tento
re
tento
dar
mas
len do éq ue
tal
vez
a len da
desv
enda
sua próp
ria
ren
da:
nada a des
velar
6 de junho de 2008
desmorono
uma dor tão sentida,
uma hora tão bonita,
uma luz a tilintar.
uma palavra tão bem dita,
uma cor tão decidida,
uma uma idéia a bailar.
dos versos incompletos
e dos dias mais imersos
esses loucos universos
de escrita que observo
estou de parabéns por tomá-los hoje como objeto desse meu admirar
já que desajeitado é esse jeito que me pegou desprevenida, preguiçosa
ainda que orgulhosa dos meus links.
saiam daqui e vão vê-los.
5 de junho de 2008
O site oficial do Grêmio volta a mandar uma mensagem de parabéns ao maior ídolo da história tricolor. O clube gaúcho homenageia Renato Gaúcho, técnico do Fluminense, pela classificação à final da Libertadores após a histórica vitória de 3 a 1 sobre o Boca Juniors, nesta quarta-feira, no Maracanã. Como jogador, o comandante do Flu ganhou a Libertadores e o Mundial pelo Grêmio. No domingo, os Tricolores de Porto Alegre e do Rio de Janeiro se encontram pelo Campeonato Brasileiro. Os porto-alegrenses dizem que vão aplaudir Renato, mas que também vão vencê-lo.
Confira a íntegra do texto:
"Nesta quarta-feira, jogando no Maracanã, o Fluminense venceu o Boca Juniors por 3 a 1. Com o resultado, o time carioca classificou-se para a final da Copa Libertadores da América, título inédito na história do clube.
No comando técnico do Fluminense, um vencedor. Renato Gaúcho, campeão da Libertadores e do mundo pelo Grêmio, luta para alcançar mais um título do torneio mais importante das Américas, desta vez como treinador.
Renato, parabéns pela classificação.
E, para a final, continue contando com a torcida da família gremista.
Boa sorte, Fluminense!
Boa sorte, Renato Gaúcho, eterno ídolo da torcida tricolor!
Domingo, te aplaudiremos, mas a vitória certamente será do Tricolor dos Pampas!"
fonte:www.globoesporte.com.br

