14 de agosto de 2009

brincando

Alguns poetas gostam de brincar com palavras.
O queridinho do café com quindim, por exemplo: "Eles passarão, eu passarinho".
Ou o bigodudo pantaneiro:
"Há quem receite a palavra ao ponto de osso, de oco;
ao ponto de ninguém e de nuvem.
Sou mais a palavra com febre, decaída, fodida, na sarjeta.
Sou mais a palavra ao ponto de entulho.

Amo arrastar algumas no caco de vidro, envergá-las pro chão, corrompê-las

Até que padeçam de mim e me sujem de branco."



Tava pensando que tem umas que dizem o que querem dizer antes de seu significado. Já com seu som.


Resssssssssssssentimento, por exemplo. Êita palavra que se arrasta pelo chão.

E rÍspido? Chego a sentir o arrepio da unha raspando o concreto.

Bagunça já faz mexer um rebolado africano.

Tem umas que é só em outro idioma que dá pra brincar.
Over and Over again. Over gira, já, sozinha, o barulho de rolamento no chão.

E a expressão com jeito de conto de fadas: "Me encanta despiertar despacio"
. Tem algo de princesa aí.



Caro leitor, solta o verbo...!











para







para uma experiência em copacabana basta separar duas horas de seu dia.



chegue de van.
vá em alguma galeria decadente perto do Palace.
compre algo de plástico em umas das lojas de 1,99 da Nossa Senhora, perto da Figueiredo. caminhe por ali.
coma um salgado árabe do Baalbek.
coma uma empadinha + refresco de guaraná na promoção.
caminhe uma quadra pelo calçadão.
faça uma ligação de um orelhão.
vá nas Americanas e compre um creme pro cabelo.
os velhinhos, camelôs, vendedores de ouro, corte de cabelo, dentista, você vai encontrar por esse caminho.
observe as dezenas de gringos.
vá embora em um ônibus velho e observe seus pés, sujos.


você acaba de levar um pouco de Copa com você!








11 de agosto de 2009

start a revolution from my bed




Me sinto um tanto Cá: decidi sair da acadimia de que eu não gosto - por ter instrutores que competem em campeonatinhos patéticos de halterofilismo - para correr. Moro a duas quadras da Lagoa Rodrigo de Freitas, pista plana, ar relativamente puro (melhor do que o da orla de Ipanema e muito melhor do que o da orla de Copa), e não vejo motivo pra botar 90 pilas numa acadimia cujo instrutor faz halterofilismo. Sabe aquelas coisas que te fazem deixar de respeitar a outra pessoa? Tipo descobrir que a tua ginecologista acha que se faz doutorado só pra ganhar título, ou que teu cabeleireiro completamente gay tem preconceito contra bissexuais, ou que a pessoa com quem tu começou a sair é racista, ou que teu analista é moralista pra caralho? Exatamente. Então fiz uma resolução: vou me acordar cedaço, tipo 6:30 ou 7hs pra correr na lagoa e fazer abdominais e economizar, assim, 90 reais por mês, já que tô precisando emagrecer e tomar sol mesmo e me disciplinar com pelo menos uma coisa. Tomara que sirva pro resto. Me sinto um tanto Cá. Se é que me entendem.





6 de agosto de 2009


A câmera faz um close:



- Não, você não procura relacionamentos e amizades desorganizadores. Não, você não é certinha por uma interiorização da figura superegóica de sua mãe.
É você que é o caos e que não vê. (pausa)
É você que desorganiza e que se deixa desorganizar. É em você que mora essa força que arrasta e arrasa, pira, louca, crazy, esquizofrênica, alucinada, fascinada pela desordem, pelo acaso, pelo incerto, pelo prazer, pela dor, pela lentidão, pela velocidade também, pelo absurdo, pelo completamente ilógico, tarado, dissolvido, múltiplo, assustador e incômodo caótico que te atravessa ao meio, em meio, por todas as partes, por todos os lados. (pausa)
Não vê? A intensidade maluca é sua. (pausa). Ok, é de muitos também, mas você tem um acesso facinho facinho a ela. (pausa)
No máximo, há coisas e gentes que disparam isso em você, no encontro com você, no entre, junto com você. Mas não que trazem isso a você, isso não.

(silêncio denso)
Você não é a Alice, você é o Chapaleiro Maluco.



Corta.



31 de julho de 2009

ultraje às avessas



A tinta cinza que escorria no dia salpicou o chão.
Dali, azuis verdejaram, vermelhos cheiraram bem, rosas amaciaram bordôs.
Desenhou-se algo de muito outra vez.
A raridade do instante.
Bibelôs-momento.
Futuro denso de presente.
Leve, pois.
O simples compareceu.
Chove ainda, mas o cinza é mais branco.
Que siga corrompendo-se o peso, oras.







29 de julho de 2009

inspiração

ah os ventos do norte.
a pirar, a birutar a biruta.
tem os do morro também, esses que balançam os vidros frisados soprando da mata atlântica.
tem hora do dia - normalmente à noitinha - em que eles batem mais forte.
sopram brandos e gostosos como energia a inflar velas.
no barco seguimos...
mas há momentos em que sopram fortes demais.
incomodam, trepidam as janelas, as cortinas, irritam tal qual o minuano à Ana Terra.
espalham cinzas, somem com papéis, arrepiam a espinha, batem portas.
as portas...
batem estrondosamente a ponto de doer as costelas, o diafragma.
barcos viram.
tempestade.
o vento é vital e encantador.
mas há de se confiar nele.
do contrário, me leva janela afora.

19 de julho de 2009

16 de julho de 2009

Por definição...


um pouco a pedidos, um pouco por vaidade, afinal hoje eu mereço, vou me citar a mim mesma, o que equivale a repetir pra mais gente o que eu já disse em outro lugar. O que acho, penso, vivo:

Ser de esquerda não é menos que ser filiado a um partido. É mais: é uma ética de vida, é um modo de existir. Uma vez um filósofo de que gosto muito escreveu, quando perguntado "o que é ser de direita?": "É pensar primeiro em mim, depois nos outros, depois na cidade em que vivo, depois no país e só então no mundo".
"E ser de esquerda?"
"É pensar no mundo primeiro."

Ora bolas, um nós como primeira pessoa.

13 de julho de 2009

movimentos peristálticos do blog

de bacia vazia
falou o que não devia
a barriga roncou
devido à azia



(não os deixarei morrer de fome!)

7 de junho de 2009

Gracinha

Check it out.

28 de maio de 2009

as caravelas do bairro

Chico Buarque anda nas ruas do Leblon "a trabalho". Diz ele que quando não está conseguindo escrever uma letra, sai a caminhar. Mas não é exercício, não é passeio tampouco. É a trabalho.

Pois hoje é dia de escrever do meu novo bairro, que não é mais Copacabana.
Uma moradora com certa mania de primeiro mundo já disse: "aqui é que nem Nova Iorque. Tem tudo." Talvez eu não dissesse isso do Humaitá, mas se juntarmos o charme do pequeno bairro abraçado pela mata Atlântica com as facilidades baratas do antigo Botafogo quiçá se entenda o sentido dessa frase maluca.
Mas foi descendo a rua Visconde de Caravelas (mais um entre as dezenas de Viscondes do bairro) que senti o vento que içaria belas velas de uma nau. Botafogo é uma carcaça feia, velha, funcional, barata e brega e um miolo precioso: as grandes avenidas são uma Copacabana mais baixinha e comercial e as ruelas são alamedas recheadas de casarões graciosíssimos. Alguns são cafés, outros botequins, uns ainda embaixadas e alguns residências resistentes à urbanização (aqui travestida de edifícios pequenos e bonitinhos). Pra quem apenas passa, Botafogo é espremido, velho e feio. Pra quem entra, é residencial, romântico e bonito.
O Humaitá é só o miolo. Não fica dentro de Botafogo, senão sobre: está ao norte deste, composto por poucas ruas com pinta de Bom Fim e Moinhos de Vento. Talvez se assemelhe ao Rio Ranco: ladeiras, vilinhas, casas da vovó e ruas sem saída que terminam em algo que só tem aqui. É que atrás dele só os morros cobertos pela mata atlântica, o corcovado coroado com o parceiro de braços abertos sobre a Guanabara. Moro no suvaco do Cristo.
A Visconde de Caravelas é uma opção de caminho para mim, que desço do Humaitá em direção à praia de Botafogo para um dos meus locais de trabalho não-pago. Nesse dia ouvia no rádio uma música que eu nunca tinha ouvido, da Daniela Mercury, que dizia algo de sol do sul, farol no olhar, trago o sol e o céu azul da América do Sul, América Latina. "Lalalalalala latinoamérica, América do Sul". Não sei se foi o sol da música, o sol do dia fresco, clima de almoço e meninas de vestidos florais e gente menos Copacabana. Se foi o vento que soprou bem quando eu senti frio na barriga, a lembrança do Grêmio e a associação imediata da música a um possível tricampeonato da América do Sul. Se foi a música que se seguia, era Gilberto Gil homenageando o Rio de Janeiro, pouca gente na rua, o suficiente para soltar as pernas no caminhar, as árvores, as árvores, adeus Copacabana, que bom que eu vim pra cá, será que o almoço nesse restaurante é bom, será que o chope desse bar é bom, que bom, que bom estar morando aqui no Rio, essa cidade é linda mesmo.
Não sei o que foi, mas disse a mim mesma que aquela caminhada a trabalho merecia uma escrita.
Como o Rio novo que eu descobri a bordo daquelas Caravelas.

14 de maio de 2009

conversas I



Devo reconhecer que a gente vive pisando em ti, mas afinal de contas é pra isso mesmo que tu serve, nisso não posso te ajudar nada, to até te aliviando colocando aqui e ali uma rede, uma esteira pra te deixar em paz, mas é que poxa, não dá, assim não dá, essa cor escura demais incomoda, não consigo ficar alheia, bronzeamento em demasia faz mal pra todo mundo, não, é claro que não sou racista, e isso não é culpa tua também, a tua ex é que foi fazendo um processo Michael Jackson às avessas, foi te escurecendo, te escurecendo, pobrezinho, e sim, o Danichi gosta de ti do jeito que tu é, e eu sei que tu vai dizer que vocês seriam felizes se não fosse eu no meio, ele até já me disse isso e consegui escutar na boa, mas é que poxa, tu é meu também!, e vamos combinar: eu tenho todo o direito de querer te lixar, pois chão com tacolac vermelho escuro ninguém merece.




30 de abril de 2009

cantadas III (inspirado em Superméri)





Estava no calçadão de Copacabana, a vi de costas, pela janela da van que ia na direção do Leme.
Vindo para Ipanema, dois surfistões, barba por fazer, óculos esportivos, ambos montados em suas bikes, andavam em veocidade.
Pude, no que aconteceu a parada da van, forçada pelo engarrafamento, ouvir de leve. O som foi baixo, mas a gesticulação dos lábios dele foi fenomenal. Encheu a boca e disse pra moça: "Mas que coisa mais linda que você é", em um quase sorriso.

Só depois é que percebi a reação da moça - assim como atrasada foi a percepçao dela de ter sido cantada. Ela virou o pescoço, talvez incrédula, seu rosto beirando o narigudo. Era bastante pálida-sem-sal. Sorriu. Pela primeira vez vi uma mulher ser cantada, no meio da rua, com um tiro desses, cara-de-pau, e sorrir de presente para todos os eventuais espectadores em seus carros parados na Av. Atlântica.
O movimento dela já engatou num giro de corpo e ela atravessou a rua. Percebi que o sorriso teimou ainda a sair da face.

Talvez o surfistão tenha conseguido o que queria. Talvez ele seja, por isso, o ídolo de seu amigo e de tantos homens, que, supõe-se, querem que um dia algum efeito (fora caras de desprezo e a total indiferença) seja produzido com suas cantadas na rua.

*

Assim que desci da van e atravessei a rua, um velhinho veio na minha dreção. Quase fugi dele, afinal, quem era ele pra atravancar o meu caminho. Fixou o olhar, enquanto eu o ignorei. Disse, como se estivesse num salão de baile: "Olha, que bonitinha!" E abriu um baita sorriso, como se não se importasse com o gigante tabefe imaginário que proferi na cara dele.
Não consegui seguir braba. Aliás, o tabefe eu dei antes dele falar qualquer coisa, porque de fato ele parou e fez um elogio. E ponto. Comecei a rir. Não como aquela moça de cinco minutos atrás. Ri porque achei engraçada a desenvoltura do senhor. Foi de uma estranha cara-de-pau ingênua. Ri, não porque achei desprezível, e nem porque fiquei nervosa, e nem porque achei bonitinho.
Ri porque ri, ora. Ri porque...

Ah! Essa Copacabana...









12 de abril de 2009

de muda - II







desligou a janela brilhante.
mais um punhado de mensagens bem intensionadas porém incompletas.
cumpriu seu ritual de chorar antes de dormir.
sonhou com uma casa do outro lado do vale.
invejou o serrado.
debatendo-se com o calor gostoso da água salgada que cruzava seu rosto,
a água que um dia foi também casa,
mudou.
mudou-se.
não sabe bem. quando viu tinha virado vegetação do alto do morro e aquelas palavras da janela brilhante ficaram numa caixa linda de madeira.
guardadas para quem sabe um dia.

a água que via estava dentro da caixa d´água
numa praça ali perto.

agora debate-se com o não-ritual.





de muda

refez-se em tranquilidade inédita.
inventou um gosto que desconhecia.
o morno não lhe dava mais asco.
o suspiro foi tão sutil que mal a notou.
anotou uma lista de compras a dois:
sofá
mesa
TV
cadeiras
talheres
panos
esteira: postergável
almofadões: postergável
quadros: postergável
plantas: importante
lembrou-se do primeiro aniversário da orquídea quase morta.
ele a havia reavivado,
a orquídea.
e o que, então, a houvera feito mais viva?


aprendeu nesse dia a diferença entre intensidade e consistência.
cantarolou que bom encontro é o de dois.
sentiu-se inteira.
sentiu-se multidão.

10 de abril de 2009

i just can´t take it anymore



aceito receitas caseiras, simpatias, manhas, dicas naturebas, remédios transgênicos, muambas, macumbas, maracutaias as mais diversas. talvez usar um aspirador de pó ou uma draga - além do chá de gengibre, mel e limão, pastilhas valda, resfenol, sorinan, echynácea, vitamina C, naldecon, xarope natural de mel, eucalipto e própolis, suco de laranja, canja de galinha e muito, mas muito repouso que eu já tentei.

precisamos vencer juntos o maior e mais grudento inimigo dos sinusitantes crônicos:


O RANHO!









sometimes people can get dangerous


despite the swet and the corny lipstick, it was kinda an ok costume, innit?




9 de abril de 2009

Ela







Eu caminhava na Nossa Senhora de Copacabana, despretensiosamente, quando Ela apareceu.

Saiu de um edifício, de uma padaria, de um Mate-alguma-coisa, não sei. A lo mejor Ela simplesmente surgiu na calçada. Não me surpreenderia.
Fiquei a dois passos d´Ela, o que me permitia experimentar uma condição de câmera, destas que ficam logo atrás do personagem principal do filme (como em O Lutador). Ela não me via, mas eu via tudo o que ela via. E, principalmente, tudo - e todos - que viam Ela.
Nesse dia eu estava completamente apagada, nos meus 1,54m de altura, enfiada em uma calça de viscolycra preta, chinelas Hanavianas e camisetinha da Smurfete drogada (daquelas que se vê um zilhão iguais nas feirinhas de moda alternativas). Óculos escuros, uma bolsa enorme pendurada em um ombro e sacolão de plástico pedurado na outra mão, caminhava dramaticamente gripada, escabelada, atrasada e desbotada. Sim, uma brancura não dessas delicadas e bonitas, do século XVII, mas de uma mistura européia e de várias raças depois de um bronze de verão e recém entrada no outono.

Ela era negra retinta. Uma cor maravilhosa erguida em longas pernas musculosas, feito duas berinjelas bem desenhadas. Saíam redondas e lisas de um microshort jeans bem clarinho de extremo bom gosto. Vestia blusa branca sem mangas. Não é que tivesse um largo quadril violão emordurando sua bunda exasperadamente redonda, mas seu rebolado dicretíssimo dava a impressão de que tivesse. O cabelo ela levava preso displicentemente bem alto, os cachos pequeninos e descoloridos balançavam como molinhas. Não levava bolsa. Parecia ir comprar cigarros ou um pacote de biscoitos. Havia algo, no entanto, que a deixava muito elegante. Não sei se eram as argolas douradas ou o óculos escuros enormes, mas ela parecia dessas gringas de clipe de rap. E eu, naqueles dias em que o teu príncipe encantado não pode, de jeito nenhum, resolver aparecer. Ainda que o meu príncipe já estivesse em casa. Mesmo assim.

Da minha posição privilegiada, eu via tudo. Os homens a torcer seus pescoços. As mulheres a se espantar.
Existem dois tipos de mulher bonita, na minha opinião. O primeiro grupo é o das interessantes, as gatinhas, as que são olhadas, sim, mas o mundo segue seu rumo. Eu talvez faça parte desse grupo, nos dias em que não estou amarela nem enfiada em calças pretas de viscolycra. Gostosinhas, pitéuzinhos, graciosas, femininas, enfim, são os pontos aos quais podem chegar. Homens olharão, dirão algo. Algumas mulheres darão aquele olhar de cima a baixo, algumas um pouco inibidas, mas repararão. Desse tipo tem muitas, ainda mais no Brasil, ainda mais no Rio de Janeiro.
No entanto, tem uma outra categoria, e essa é para poucas. Muito poucas. Estas são as bonitas de parar o trânsito. Literalmente. São as que paralisam geral. São aquelas que metem medo, de tão avassaladora beleza. E isso, inevitavelmente, tem a ver com a altura. Elas geralmente são altas, pois é preciso se destacar das demais. Elas são sérias: jamais se verá uma dessas mulheres se rindo toda. Para essa, nem todo homem terá coragem de olhar. Alguns não passam do rosto. Escondem um medo sinistro de virar e olhar a sua bunda, como se ela própria tivesse olhos nas costas e os castigasse se isso acontecesse. Para estas, todas as mulheres olharão. Sem exceção. Simplesmente por serem a beleza mais unânime transitando pela rua.
E essa mulher era uma bonita de parar o trânsito.
Por isso, os homens hesitavam em olhar e, tanto eles quanto elas, semi abriam suas bocas quando a avistavam. Eram cenas realmente impressionantes. E eu, assistindo de camarote.

Mais uma quadra e tive que rapidamente avançar à frente d´Ela. Queria chegar inteira ao meu destino.

(Nunca mais saio com minha camisetinha da Smurfete.)









8 de abril de 2009

detalhe





ok.
acabo de me dar conta que agora pode ser que meus alunos me encontrem no google. e a primeira coisa que aparece é este blog.



não sei como desvinculá-lo da pesquisa do nosso amigo gugli.




eu juro que tenho um Lattes, e ele deveria aparecer na pesquisa do google, mas por algum misterioso motivo ele não aparece.











bueno.























olá, caro aluno. espero que eu não o decepcione.
esta também sou eu.















PS







(não sei se por ser muito lido por mulheres ou por ser lido por homens tímidos, mas...

por que ninguém comenta meus posts sobre futebol?)








7 de abril de 2009

Eu sempre gostei dela






QUEREM SABER? PRA MIM A PINTURA QUE FOI O GOL DE "LA BARBIE" COMPENSA QUALQUER DERROTA EM GAUCHÃO.

GLORIOSO TRICOLOR: RUMO AO TRI DA AMÉRICA.






web mad







Acabo de me dar conta que estou sendo contaminada por um vírus contemporâneo.

Nunca fui de entender nem de ficar muto na net. Nem de ficar muito nos livros, é verdade (ao menos não na minha adolescência), mas eles andam bem na frente, se isso fosse uma fila de coisas interessantes para Alice nesse momento da vida dela (leia-se depois de superar seu trauma de "eu não escrevo bem").
Acontece que meu envolvimento com trabalhos de marketing e pessoas que gostam de marketing e cool hunting e betas em moda e música e downloads e jornalismo global e ipods e intervenções artísticas contemporâneas e outros gadgets afins acabou me impulsionando a pesquisas de sites especializados em moda, música, brinquedinhos... além do 4shared pros textinhos do Foucault, é claro.
Agora acesso o Pronto. Cortei. e seus links, além do Carolinacos, é claro, e do Tuned into sound, que são quem me levaram pra esses maus caminhos, além da pesquisa com a Box 1824.
Me estragaram, mexeram no brotinho de plantinha que só precisava de um pingo pra desabrochar. Agora morro de vontade de ficar pesquisando tendências, estou num impulso incontrolável de cortar os cabelos, ando louca de vontade de cortar umas calças jeans velhas e transformá-las em sei lá o que, estou usando todas as roupas que estavam pianinho no meu armário ameaçadas pela mainstreamice carioca e sonho até com um blog "Pronto, pintei", eu que sou alucinada por esmaltes e vivo fazendo as minhas unhas eu mesma.

Pronto. Falei.







agora vai!


E então nos livramos dele.
Não no melhor momento, mas depois de 7 Gre-nadas dos quais empatou-se 3 e perdeu-se 4, qualquer momento é momento.
Alguns lamentaram. Não vou dizer que foi a melhor forma de decisão da diretoria, já que vínhamos também de uma decisão de última hora um tanto forçada aos jogadores, depois da derrota para o Caxias (leia-se jogar com os titulares a dois dias de um jogo de Libertadores). Mas também, vão aprender com Cruzeiro, São Paulo: os jogadores estão extenuados, sim, no entanto estão nas finais de seus regionais. E sim, meu time mesmo já ganhou Gauchão, Recopa e Brasileiro num mesmo ano, bem como Gauchão e Libertadores. O primeiro com o banguzinho. Tudo bem, os tempos são outros, o co-irmão está fortalecido e nosso time não é aquele de Felipão.

Ponderações feitas para os dois lados, a verdade é que respiro aliviada. Mais do que um treinador que não ganhou título nenhum com o Grêmio, dispensamos seu sintoma. Assim como o prolongamento do desejo dos pais acaba aparecendo no sintoma dos filhos, o sintoma de Roth estava aparecendo nos atletas. Eles ficaram abalados, mas certamente o superarão, a não ser que, como ele, não consigam gostar de ganhar. E digo mais: além de sintoma, é devir. Um devir concretado (um não-devir?) estava abafando o devir imortal e milagroso do tricolor. Parece que agora as coisas andarão. Afinal, o Grêmio sempre foi, em grande porcentagem, a sua torcida.

No mínimo, tem isso: no primeiro dia sem Celso Juarez Roth no comando técnico do Grêmio, o clube ganhou 400 novos sócios.
Precisa dizer algo mais?

23 de março de 2009

romantiquinha

pra nós todo amor do mundo
pra eles o outro lado
eu digo mal me quer
ninguem escapa ao peso de viver assim
ser assim

eu não, prefiro assim com você
juntinho
sem caber de imaginar
até o fim raiar

pan pan panapan
pam pam pa-papapapam

14 de março de 2009

encomenda





Ficou muito feliz em receber cartas. Adorava recebê-las, manuscritas, especialmente em tempos de cartas eletrônicas. Remetia-lhe à infância, quando via os doces na rua, pedia que sua mãe os comprasse, mas ela, italiana, dizia-lhe: "isso eu posso fazer em casa, filha. deixa que eu faço em casa pra você." Ou quando, na adolescência, costurava suas fantasias de carnaval, lantejoula a lantejoula, enquanto suas amigas chegavam no salão com aqueles figurinos prontos das lojas do centro.
Gostava disso, do artesanal. Adorara aquele último filme do Michel Gondry com o Gael García Bernal, cujo nome remetia a soninho, no qual tudo era feito pelos personagens com tecido e papelão. Gostara muito, até, de como inclusive os carros oficiais de polícia, na Índia, eram pintados à mão. Gostava,
quando criança, de fazer cartões de dia das mães com caixas de sabão em pó.
Agora deleitava-se em abrir os envelopes, desdobrar os papéis. Em uma das cartas, beijos de batom rosa com glitter. Noutra, frases diziam que a saudade é uma fogueira fora do lugar - e as folhas da carta vinham queimadas nas pontas. Adorara aquilo. Em outra ainda, uma caixa com uma camiseta personalizada de uma viagem que fizera há quatro anos atrás.
Talvez por isso - sim, era por isso - que começaria uma correspondência que - ela não sabia agora - mudaria sua vida.








precoce



foi tudo muito rápido.
meu corpo pedia por ele,
eu quente a olhá-lo da ponta da cama.
desejando-o.
queria espalhá-lo em mim.
ainda que pequeno, sabia que satisfaria minha ânsia por proteção.
queria-o tocando minha pele, queria senti-lo.
aproximei-me dele, o olhar ainda fixo.
peguei-o na mão.
cilíndrico, firme, tinha vontade de apertá-lo.

quando abri o tubo de Repelex, ele gozou na minha mão.








10 de março de 2009

menina bonitinha






Na minha cabeça foram surgindo frases que se pareciam a uma música de qualidade duvidosa, mas definitivamente era uma música. E aí ela foi se desdobrando, desdobrando, mais ou menos assim:


eu já vi você
em um tanto de vocês
eu não gosto de você
garota bonitinha
de beleza simétrica
garota da TV
garota da calçada
dos bairros da zona sul
garota genérica
eu não gosto de você
porque você é
genérica
cabelo igual
saia vista
saia da minha vista
seu rosto, seu olho, seu andar
normal
uma cor diferente
não pense que é suficiente
para ser toda diferente
sua timidez irrita
genérica
não quero garotas de chico
as garotas do colar comprido
de um litoral genérico
as garotas que se querem naturais
demais
cores pastéis
cabelo longo desbotado
genérico
liso ou crespo
enjoativo
tatuagens de catálogo
genéricas

eu não quero garotas de chico
quero a garota para a qual
não há compositor
garota de composição única
a garota sem revista
a garota da minissaia e do casaco comprido

eu quero uma garota com uma mente como um diamante
eu quero uma garota que saiba o que é melhor
eu quero uma garota com sapatos que machucam
e olhos que queimam como cigarro

eu quero uma garota bem-localizada
que seja rápida e perfeita e afiada como um prego
ela está jogando com suas jóias
ela está prendendo seu cabelo
ela está singrando o local
e escolhendo devagar

eu quero uma garota de minissaia e sobretudo

eu quero uma garota que levante cedo
eu quero uma garota que fique acordada até tarde
eu quero uma garota com prosperidade ininterrupta
que use um machete para se desvencilhar da burocracia

com unhas que brilhem como a justiça
e uma voz sombria como vidro fumê
ela é rápida, precisa e afiada como um prego
ela está singrando o local
e escolhendo devagar

I want a girl with a short skirt and a long jacket

eu quero uma garota sem problemas de falência
eu quero uma garota com bons dividendos
no banco da cidade nos encontraremos acidentalmente
começaremos a conversar quando eu a emprestar minha caneta

ela quer um carro com um descanso de braços com porta-copos
ela quer um carro que a faça chegar onde quer
ela está mudando seu nome de Kitty para Karen
ela está trocando seu Mg por um Chrysler LeBaron branco

I want a girl with a short skirt and a looooooooong, loooooooooong
jacket

nananana
nanananaaaaaana
nananana
nanananaaaaaana
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6 de março de 2009

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..
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e a partir de hoje podem me chamar de "professora Alice"!



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5 de março de 2009

só pra dizer

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que hoje foi o melhor dia da minha vida, em termos de hoje.

sabe-se que dê-me uma bandeira e serei leal a ela até que eu não seja mais leal a ela (e tenho uma amiga igualzinha).

é, hoje eu queria dizer assim bem simples e direto: hoje foi o melhor dia da minha vida.
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2 de março de 2009

27 de fevereiro de 2009

soslaio






Silêncio contestado fervorosamente em argumentos mudos.
À meia-noite um frio suspira. E se vira.
Espera berrante em imprecisões meneadas.
Ao meio-dia uma luz se disfarça de voz.
O esquecimento esquece-se de esquecer. Dorme.
Pedidos no meio do meio. Meio nada a ver.
Uma declaração esperançosa esperneia na tela, na janela, no cartão, na folha de rosto dos poemas.
No meio dos outros, o nome está agradecido. Está grato.
À meia-luz um feixe é otimista.


Ainda aguardo o dia em que vou abrir aquele livro e encontrar tua dedicatória.








fragmento de correspondências de carnaval




Gislei.

Dia 22 de fevereiro de 2009, praça XV, Rio de Janeiro.

Quase um estádio Olímpico lotado na praça em função do carnaval de rua. O centro, outrora cinzento, abafado e cheio de passos apressados que desviam dos carros e ônibus, agora está um bocado cambiado. Segue abafado e cheio de passos velozes... mas os passos bailam e o bafo é driblado nessa dança. Ou, quem sabe, está o bafo incorporado nela, já que são corpos fumegantes que zanzam pelas ruas e calçadas coloridas de palhaços e colombinas e enfermeiras e colorados e gremistas e botafoguenses e bin ladens e caetanos e gals e bichinhos e super-heróis e loucos e noivinhas agora nem um pouco goradas. O prédio da assembléia é escalado pela multidão. Colunas gregas, estátuas de símbolos da pátria são pontilhados, não, ENGOLIDOS pelos foliões. Todo mundo é criança e o que houver na frente é playground. E isso tudo começou às 8hs da manhã. É a primeira vez que vou tão cedo para rum carnaval.
Agora entendo porque isso tudo não é transmitido pela TV: é a concorrência da festa-para-turista da avenida, cheia de luxo e de lixo numa brincadeira metade sincera, metade sorriso de plástico para a câmera da Grobo. De repente todas as músicas sobre o carnaval fazem sentido. Uma série de letras do Chico passam ao fundo das tradicionais marchinhas... "alalaôôô, mas que caloOoOoOoOoOoOoOor"... "...e ela ainda está sambando...". Elas fazem sentido porque estão sendo sentidas.

Crianças e velhos e mulheres e homens e gays e bebuns e mendigos e senhorinhas da zona sul, todos pulando juntos. Um casal de vendedores têm um filho que quer brincar. Ou era eu quem queria. Não sei bem. Sem nem saber como tudo começou, vejo-me correndo atrás dele, os dois desvairados, praça afora. Pegamos uma garrafa plástica e fazemos alguém de "bobinho", a garrafa ali vira bola. Dali a pouco aparece uma arminha de água e é esse agora o brinquedo, engate imediato. Assim ficamos, pega-pega, corrida louca, vou sendo levada por esse devir criança, divirto-me a valer, não estou tentando divertí-lo, apenas NOS divertimos, e não há vontade de parar, ainda que ele corra de pés descalços e haja cacos de vidro no chão. Ele acaba por pisar em um, pequenino, vamos na Mãe e ela tira com a pinça. Susto, culpa. Mas uma culpa de amiguinha que esteve junto no momento do ferimento, e não de adulta que deveria estar cuidando da criança... Pronto. Ele põe os chinelinhos de dedo e lá vamos nós, correr mais!
Eis que sim, houve um momento em que pensei clara, lucidamente: É ISSO o devir criança mais HONESTO que já vivi. Mas não deu muito tempo pra pensar, não. Eu o estava EXPERIMENTANDO. Apenas isso.

Pensei que não precisa muito para se divertir. Não precisa de muito pra fazer carnaval. Nem toda aquela purpurina das fantasias da avenida. Nem dinheiro. O carnaval de rua faz isso. Cria a possibilidade de encontros, de efetivação de afetações as mais improváveis e as mais fascinantes. Uma arminha de água emprestada. Uma garrafa plástica. Crianças. A rua.
E a alegria, ah, a implacável alegria!

Onde eu estava às 5hs da manhã de um dia de carnaval? Dormindo feito anjo, de tanto ventar criança o dia inteiro.







16 de fevereiro de 2009

Os descaminhos do doce de doce deleite




Quando me perguntam o que é, afinal de contas, cartografia, digo que é bem diferente de receita de bolo. Mas comparado a quê?
Se tens alunos e queres um bom exemplo, aqui vai ele.

Tenho uma receita da sogrona em mãos, pra fazer uma deliciosa torta de doce de leite gelada.
Eu nunca fizera nenhum doce (se estivermos de acordo que negrinho de panela não vale).
Desde meu retorno ao Rio, por algum motivo, me pus mais mestre cuca. Aproveitei o embalo.
Olho os ingredientes, todos fáceis de conseguir. Só falta a batedeira.

Peço no vizinho, nada. Vou ao andar debaixo. Ouço música eletrônica. A porta da cozinha se abre, o que faz eu ter de me deslocar da frente da porta da sala para o outro lado do corredor, e então me apresentar e pedir o utensílio doméstico. O vizinho veste preto, tem certa maquiagem no rosto e vejo que seu figurno é uma mescla de clubber com folião. Ele me alcança a batedeira e ecrescenta, sorridente: "tem que segurar aix paix, porque elas de vez em quando soltam". Ok.

Saio em busca dos ingredientes, coisa que no super ali debaixo encontraria.
Bolacha Maria de chocolate: não.
Nata: não.
Doce de leite: não.
Vou ao outro super.
Bolacha Maria de chocolate: não.
Nata: não.
Doce de leite: sim. Um pote enorme.
Falo com um funcionário sobre a bolacha e sobre a nata, tem de ser nata, que é mais cremosa, e não o creme de leite líquido. É uma cliente que descreve a embalagem da nata, uma espécie de garrafinha - que eu tinha visto no primeiro supermercado, mas suspeitara ser líquido, visto que dizia "creme de leite" e, well, vinha numa garrafinha.
O funcionário me sugere levar um outro bixcoito, esse é bem goixtoso, não é muito doce não. A caixa me pergunta se eu já provei aquilo (bixcoito) com café com leite. Uma delícia. Eu digo que é pra uma torta de doce de leite. Ela pára, olha pra moça que ensacola as compras, "ó, ela tá inxpirada, aê."
Volto ao primeiro super, compro a nata em garrafa, que afinal de contas é cremosa e pesada.

Consigo a façanha de separar 7 claras de suas respectivas gemas, mas fracasso no último ovo, cuja gema ainda consigo tirar mas parte dela se espatifa e se espalha na minha perfeita bacia de claras. Lá vou eu catar vestígios de amarelo no caldo transparente pra assegurar que a clara ficará firme.
A batedeira é mesmo um caos. Nas primeiras três tentativas é impossível manter as pás encaixadas. O Danichi então segura uma das pás, queima os dedos, tentamos de novo, conseguimos. Com as claras e com a gema.
Dou-me conta que a receita é enorme. O creme exige um esforço grande do meu bíceps para ser misturado. A clara que tinha ficado firme deu uma desandada: parte dela liquefez-se. Bato com a batedeira capenga, com sucesso.
Misturo tudo e vejo que não há pirex grande o suficiente ou que caiba no congelador. Dividimos em dois potes.
Provo, não gosto. A nata é muito forte, eu sabia!
Mari prova, gosta. Danichi prova, gosta. Marceu prova, gosta. Talvez seja eu.

Hoje experimento o doce, já na textura ideal. PERFEITO! DELÍCIA!!!!

Dona Denise, obrigada pela receita. Alice, parabéns! Você acaba de virar doceira.