13 de fevereiro de 2009

A polêmica do trote




Deu no jornal.
"Trote animal."
Mas afinal,
o que não entendo
é por que raios não há adendo
nehum dizendo
outro motivo que não o usual -
"pais modernos", "limites", coisa e tal -
pra tamanha cara-de-pau.
O que queremos,
cara psicóloga que fala para que acatemos,
é olhar pra essa quantidade colossal
de sujeira debaixo do tapete que temos
(e escondida muito mal,
por sinal)
sem forçar um "é normal".
Como ainda isso fazemos?
Fingir que não temos
nada com isso, e isso sendo,
assim, sem mais nem menos
razão para leis de remendo
mas nenhuma decisão cabal.
Ministros se desdizendo,
militares se escafedendo,
uns tantos se esquecendo.
Tortura, ora, bem o sabemos,
está tal qual
segredo que tememos:
remoendo
em cucas que não conhecemos,
produzindo silêncio geral,
salvando a pele de um poder que já foi total
e que de alguma forma se segura, tremendo,
longe da publicização que ainda teremos.
Deixemos,
que tal?,
de lado o que não está mais cabendo
como explicação intelectual
para trotes brutos, transgressões, o escambal
e perguntemos
por algo que quiçá dispare o que não vemos
pois é da ordem de uma anomalia estatal:



Onde está a abertura
total
incondicional
do arquivo nacional???


























6 de fevereiro de 2009

Errar é viver






O mais frequente erro de digitação que tenho cometido é o melhor ato falho que já cometi, confirmando que minha idéia de urgente antenamento da psicanálise a essa que é a mais contemporânea versão do ato falho é totalmente relevante:

ao escrever meu nome, volta e meia digito "Alive".


(Walking down Portobelo road to the sound of reggae...!)




















Pingos





Sentou-se diante da tela branca.
Pensou no que escrever.
Notou que seus dedos tremiam, como se pedissem pelo contato com o teclado.
Rasgou sua memória a lembrança de como, nesse processo, não havia conseguido levar adiante determinadas leituras. Fechava os livros policiais. Colocava-os de lado. De polícia já falava. Queria romance. Queria um romance.
Romance, romance, a palavra que queria despir - e nesse mesmíssimo ato já percebeu que é porque um dia a vestiu - desse nosso cacoete acadêmico de rapidamente enganchá-la ao homem moderno, o homem criticado por Walter Benjamin e Michel Foucault, o Homem Romântico, o homem iludido, o jogo de tênis lacaniano que define o amor como mera relação de nós com nós mesmos, a idealização, os contos de fadas, não, não não.

Romance, desses com lugares interessantezados, dessas estórias com pessoas que ganham um brilho pouco visto, a poesia, a poesia, a prosa, o sujo e o belo, o límpido, o paradoxo, era isso o que queria.
Romance, simplesmente romance, a palavra nua, jogada ao vento, sabe-se lá se ele vai bater, sabe-se lá onde a corrente vai dar.

Assim, romance, a palavra excharcada de prévias. E só.




Uma folha seca minúscula entrou pela janela e caiu entre o teclado e a tela. Fez menção de colhê-la. Estancou.
Pela primeira vez, teve ventade de escrever um livro.












Sinto Copacabana por perto, é o vento do mar!


EU + MEU CARRO + 34 GRAUS + MOFO + QUATRO DA TARDE + BARATA RIBEIRO = EU SOU UM FRANGO DE PADARIA DO BAIRRO






E giro, lentamente, enquanto gotas pingam de mim, à medida que tosto, sem no entanto me bronzear, e pessoas me olham pelo vidro do compartimento QUENTE dentro do qual me encontro, desfrutando de mais esse ensolarado meio-de-tarde, a caminho do agradabilíssimo e superlotado supermercado Mundial para as compras do mês
, ansiosa pelo que me espera num suspeitoso e gosmento dia 5 do mês.


Sim, morar aqui é mesmo um sonho!








Lost in translation





(Seguinte: "embed" pra mim é "na cama". De jeito nenhum que eu entendia como linkar o raio do vídeo do youtube no blog. Acontece que no site em português no lugar de "embed" diz clara e simplesmente "incorporar"!!! Sacô, mano? Por isso nem eu nem Maria conseguíamos entender. Tive que ir, prla primeira vez, no "Help" do Blogger, olha que desaforo. Ali é que ficou claro.
Maria: é uma caixinha que fica AO LADO do vídeo, junto do nome do "autor" do video, logo abaixo da caixinha que diz "URL".

Não se esqueçam: I´m a WOMAN!!! I´ve got a WOMAN´S BRAIN!!!! I MIX everything in my head!!!)

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I ACTUALLY THINK this will work now.

i REALLY hope this works now.

3 de fevereiro de 2009

increíble





Estou boquiaberta.
Esse Ipod touch faz de tudo, tudo, tudo, tudo. Só que ele é mudo. Ops, nem é! Toca música e filmes!!!! Por isso desandei a escrever, escrever, e ficou essa coisa sem pé nem cabeça aí embaixo. Será que é assim que a nossa cabeça fica, inserida na estética de um site com múltiplos links?




Primeiro nos acostumamos com CPUs enormes, computadores creme, MS DOS. Já nem sei como se escreve. Vocês se lembram do DOS?????
A tela pretona, aquelas letrinhas piscando, deu. Tinha que digitar uns codigozinhos, tipo //, barra invertida, "dir" e umas flechinhas que nem tem (mais?) no meu teclado.
Ok, os CPUs diminuíram, ficaram mais leves, vieram os Windows, sei lá que ano começou, mas de repente se tu não tinha o Windows 98 e o Word 98 tu já não abria um monte de arquivo.
The next thing I know ganho um computador sem entrada pra disquete, os celulares não são mais tijolos, o vídeo cassete é uma burrice e os walkmen são coisa mais bruta que há.
Ouvia CD player portátil no tube de Londres, há seis anos atrás e era uma coisa mega tecnológica.
Aí se descobre que a vida útil dos CDs não é tão grande assim e eles sim, e aí vem o mp3, pra infelicidade de quem queria ouvir todos os graves mais graves e os agudos mais agudos de uma música... Câmeras de foto com filme, a essa altura, já são coisas primatas, só aquela vó - e olhe lá, depende da vó - é que ainda tem, simplesmente porque não entra na cabeça dela olhar pra tal telinha. Ainda hoje se ouve o sujeito dizer, com a máquina digital em punho: "mais uma, só pra garantir!". Tsc. Além de ver na hora, meu amigo, pode tirar mais cem iguaizinhas que ainda tem plenty of room pras fotos do resto das férias.
E pros vídeos, é claro.
A internet era discada, "desliga aí, pai, que quero conectar!!" se reservava um tempão pra josca engatar, e hoje tu tem uma cobertura grátis em toda a praia de Copacabana. Esses dias eu vi um aviso de espaço Wi-Fi num metrô, em algum lugar. Se o roteador de casa não funciona pra transmitir o sinal wireless, é um desespero.
Dia desses meu namorado achou um absurdo que no meu celular não tenha rádio. E isso que quando eu fui comprar (trocar por pontos, pois há séculos eles não custam mais que 70 contos) a vendedora empurrou goela abaixo um desses que tira fotos. Graças a ele tenho uma com o Caetano, na saída do show do Bob Dylan. Mais uma, entre as 3253 que estão guardadas no meu PC.
Nem o DVD player é mais uma coisa digna de se ter. A não ser que seja portátil, e olhe lá, pois com os laptops isso foi sumindo.
O Windows (ainda que seja Vista!) é hoje "uma merda", e um Mac rules. Mp3 players que além de tudo são gravadores (aquelas fitinhas em miniatura eram tão bonitinhas...) não deixam os ruídos de fundo aparecerem, são do tamanho de um dedo e item indispensável de um estudante universitário. Sem falar nos pendrives. Juro que no ano passado encontrar um de 2 giga, no Chuí, foi um verdadeiro parto. Hoje, pela metade do preço, tu compra um de 8, 20, sei lá quantos giga. Alguns vêm de brinde em shows, como num do Lenine, pra convidados.
Ninguém mais conta os CDs do pai, como eu fazia e parei quando eram 400 e poucos. Hoje eu tenho isso, com a menos da metade de tempo vivido que ele, no meu ITunes. Meu CDplayer portátil tá encaixotado por falta de comprador, meu walkman foi posto fora, meu videocassete foi de brinde pra quem comprou minha geladeira, meu "som", presente clássico da nossa adolescência, hoje é peça obsoleta, pois o negócio é ter umas caixinhas de som onde tu enfia teu IPod.
Meu notebook é muito melhor e menor que o PC, e quem não tem mp3players ou um IPod, dá licença, mas só pode estar perdido nesta vida.
Apesar disso, meu som do carro só toca rádio.

Com essa história de Touch, porém, parece que a lógica do corpo voltou com tudo. É impressionante. Já tava ficando com pena de quem tem mãos muito grandes, porque cada vez as coisas a serem manuseadas ficam menores. (Seria o início de uma mutação física na raça humana em que ficaríamos sem sisos, sem pêlos, peles macias e micromãos?) Com isso de tocar na tela, tudo obedece o movimento mais natural e instintivo do nosso corpo. Se falássemos e a tela fosse sensivel a ponto de responder, aí eu teria medo. Por enquanto ela é sensibilíssima ao toque, apenas. O considerado mais avançado é a maquininha que vira as páginas como um livro, e não "com apenas um toque". Não, tem que arrastar o dedo ali. TV, IPod, telefone. E como se não bastasse esses IPods terem ido de 2 giga a 84 giga, foram ficando cada vez menores e agora voltaram a ser grandes, porém raquíticos, feito folha de papel. É pra poder ver teu filme na viagem de ônibus pra Santa Catarina.
E fazem de tudo. Tu vira o bagulho na horizontal e o treco que tá ali dentro vira também. Tu guarda zilhões de coisas. Música, vídeo, foto, agora caiu meu queixo porque tem lá "programas de TV" pra sincronizar. Putaquepariu. Como vai explicar pruma criança que os homenzinhos da TV não tão ali dentro???
Agora há pouco pude ENTRAR NA INTERNET (sem fio, é ÓBVIO) pelo IPod Touch. E pasmem: podia acessar emails, responder, ver vídeos no youtube, dar zoom. Sério, dá pra ver aquela celulite daquela foto que a gente não gosta.

Não, não. Isso tudo é demais pra mim. Não tenho nem um ventilador de teto e nem uma prateleira pros meus livros. Estou flipando. Amanhã pesquiso preços de ventilador e descubro pra ontem o que, afinal, significa um "podcast", que agora não tem jeito, agora vou ter que lidar com esse paradoxo na minha vida.






2 de fevereiro de 2009

milho branco, azeite, sal e cebolas



Hoje é dia dela, ao menos para alguns, ao menos do jeito que comemora a Bahia, ao menos pra quem ela é também dos Navegantes, e não só mãe dos peixes, em uma terra minha que tem nome de porto e é alegre.

Dia de tomar banho de mar. Sete rosas brancas, abertas. Dia de mar cristalino aqu ino Rio, uma Copacabana de ondas calmas como ela, e um tanto quentes, sem deixar de refrescar. Ela hoje sopra um ventinho que alivia os 40 graus.

Eu não quis nem saber, hoje saí pra pagar o aluguel usando azul, pratas, guia do maridão da mamãe aí, Oxalá, e sincretizei com a minha análise: depois da sessão caminhei toda a praia de Copacabana molhando os pés e dizendo baixinho "odoiá", enquanto pensava na minha vó Edela.

Saravá!


31 de janeiro de 2009

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Desculpa, computador, eu sei que tu nem é meu, e sei que acabei de te desligar, e sei o quanto isso de ligar e desligar te custa, mas é que quando eu tava ali na cozinha abrindo aquela geladeira mais ou menos nova que nem é minha também, quando eu tava abrindo ela, não, eu já tinha aberto, eu tinha recém visto a margarina light e a margarina não light, sabe, computador?, bem ali deu aquela coceirinha que começa no canto do olho, aquela que vem de fora pra dentro, aí parece que a retina arrepia, sabe, computador, e aí inunda tudo, e a visão fica embaçada, úmida, eu sei, eu sei, normalmente a margarina tá associada à felicidade, a gente até brinca que quem tem um esposo, um filhinho de olhos azuis na garupa dele e um labrador, todos correndo na praia, é uma família comercial de margarina, é que não é culpa da margarina, mas foi olhando pra elas duas, uma azul, light, a outra amarela, cremosa, foi por acaso, é que deu a coceira, o que eu vou fazer, não é culpa minha também, a minha boca até fez beiço, eu consegui me servir de suco de laranja e peguei a margarinha light pro meu pão, mas o que eu vou fazer, a coceira virou calor nos olhos e molhei minhas bochechas, no nariz também fiocu mais úmido, foi mal, computador, mas é que tinha que te contar isso, eu sei, eu sei, já tô indo pra parada na Cristóvão pegar o T2 e fazer a minha mala, tá, já tô indo.
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chili.

Tá. não sei linkar vídeos do youtube. Cari, Carol, me ajudem.

Chilinguino, esse é pra ti.

http://www.youtube.com/watch?v=L0KJutaEACI

Partes

Um dia estava na casa de uma, e usou sua toalha e seu xanpú, e sua panela e seu trigo para kibe, e puderam ver uma estranha Índia na novela. Ali esqueceu um casaco, um celular, uma máquina fotográfica, alguma passagem aérea, quiçá.
Noutro dia tava na casa da outra, e viu seu caderno de som e imagem e dormiu na sua cama e usou sua patente, e puderam rolar num papo traveiseiro em meio à ressaca. Ali esqueceu de mandar mais mensagens e algum "eu também".
No terceiro dia tava na casa de outra, usou seu computador, sentou em sua cadeira, comeu seu branquinho, usou seu sapato, foi escutada em seu desespero de provável fim de sorte em sempre ter saúde. Ali esqueceu um casaquinho e um obrigada.
Num outro esteve na casa de um, e comeu salada de mamão verde, e comeu seu recheio de panqueca e puderam passear com o cachorro ancião enquanto contavam parceiros sexuais. Ali esqueceu um óculos de sol e duas camisetas.
No último dia esteve na casa que era o oposto da sua, dormiu na cama dos pais dela, recuperou uns acessórios esquecidos e puderam desfrutar de álcool doce e chocolate de colher em meio a uma balbuciante dança de rendeiras. Ali esqueceu um bilhete.

Agora todos se foram. Uma pra praia, outra pra serra, outra pra longe, outro pra casa.
Sim, todos pra casa, lembrando que mesmo quem se satisfez na condição de mochilinha e errância tem uma casa, ainda que temporária e onde usa e come dos outros.

Foi à casa do outro lado da cidade, pois lá deixou de propósito vários livros, uma escova de dente e um champanhe. Com esse um bem bem diferente e cheio de pré-forças vai voltar pra casa tropical rever o que andou esquecendo de lá.

Secretamente e talvez não tão secretamente assim, torce pra que em breve todos passem por lá, usem seu fio dental, vistam seu pijama, sujem sua casa, lavem sua louça, comam sua massa peperonata. E se esqueçam de ir embora.








19 de janeiro de 2009

punta que nos parió

Fin del año en punta.
Bem longe de hippongagem. (Ok, a alguns quilômetros de acampamentos como no forte de santa teresa, pero igual lejos.)


Quatro dias de salto, maquiagem e champagne.

RElindo, REdivertido, REbueno (oh, sim, o que mais tinha era gente porteña, não creia que perdi o accento que agarré en Buenos Aires).


Pessoas que tomam banho de perfume, que têm lanchas, que pagam em dólar, que tomam champagne no happy hour (hohoho: como se houvesse um local de trabalho do qual se saísse depois...), que têm um modelito pra cada dia de praia, que comem caviar, que bebem clericot.

Por quatro dias, fomos um pouco mais delas e nos entregamos à ode à superficialidade.

E nem tanto: uma ode à possibilidade de curtir horas se arrumando pra sair, mas principalmente ode à diversão, ao carinho e à gentileza de nossos anfirtriãos, à amizade, à boa comida, à leveza, às media-lunas en el desayuno, à cerveza de litro, a la puesta del sol en casa pueblo, à virada de um intenso e pesado 2008 para um desintoxicado pero RErico dois mil e novos.


Tá bem, não resistimos, usamos flores na cabeça.


Daquelas de cetim, é claro, que são a última moda.
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3 de dezembro de 2008

ingrediente



e foi assim sem mais que se viu em muitos e se viu serena tilintante.

nas cores possíveis que podia criar.
na cor que falta à palheta do pintor e ao mesmo tempo aquela cor final que nunca mais se repetirá.
executando o uso da alegria que movimenta a mão do artista.

a arte em si, em obra de vida.
matéria prima e produto.
progresso em obra.
escrita inscrita em som.
palavras roubadas, abancou-se em desmemória.
lembrança de futuro, música de trilha trilhada.
o corpo refazendo-se em desformatos macios.
em meio a uma estranha trégua de corações repartidos e remendados.
ainda por se fazer.
o conforto do inacabado.
pulsante, però.
reencontro da vida com o que ela pode.
mais uma entre muitas.
muitos entre em uma tão mais.
assim mesmo, nesse mais.




2 de dezembro de 2008





dale buenos aires
dale madonna
dale goiás
dale madres de la plaza de mayo


nessa ordem cronológica mesmo!









26 de novembro de 2008

e falando em 16 anos...

Essa história é mais antiga, e bastante trágica.
Trata-se também de um talentoso músico de 16 anos, desta vez de Porto Alegre, mas um guri muito mais triste e isolado.
Brilhante, inteligente, isso também, mas que se suicidou.
Depois disso, alguns respeitadíssimos músicos do mundo organizaram seu trabalho num CD.
Kassin + 2 fez um myspace pra ele, pelo que entendi.
Nesse link: http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewProfile&friendID=331016304
Dei uma olhada no myspace e as músicas são excelentes. A voz não parece mesmo dele.
Atenção para a segunda música.





Triste, afetante, mas ele mesmo deixa palavras lindas que não nos deixam ter "peninha", e sim acolher oq ue ele mesmo produziu e deixou:
"Eu acredito que a cadência ea harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’




25 de novembro de 2008

tchubaruba




No início achei que era uma pirralha chatinha. Aí ela começou o tal romance com o Camelo, e eu deixei de respeitar ele. Dei um conferes no som dela, pra ver se eu tinha que passar a respeitá-la ou não.
Levei nos dedo. A guria que é fã de Bob Dylan sabe mesmo fazer música. Umas levadinhas gostosas com uns riffs de guitarra surpreendentes. Som envolvente e criativo, esse é o som que valorizo. E ela toca vários instrumentos, ainda por cima. Percebi que ela é a cara da minha irmã de 18 anos, quando tinha 16. Vozinha fininha, mas inteligente. Ousada quando canta e toca.
Não só passei a respeitar Mallu Magalhães, apesar de suas entrevistas infantilóides (ainda acho que é mais onda do que ingenuidade de verdade) como... meio que... me viciei. (Não contem pra ninguém.)


Ouvi o CD do Camelo, também, com calma, nesse mesmo dia.
Sigo tendo perdido o respeito por ele.






[Cadê o CD da Little Joy (Amarante + Fabrizio Moretti + Binki Shapiro)?]




17 de novembro de 2008

anagramas divers



uns eu ouvi, aí fui fazendo. um gênio me ajudou.



RIO DE JANEIRO
NOJEIRA DO REI

SÃO PAULO
O APLAUSO

ESPÍRITO SANTO
POETA SINISTRO

ANAGRAMA
AMA GRANA

CAMPARI
PRA CIMA


com porto alegre eu fiz tantos que resolvi arranjá-los em poeminhas:


PORTO ALEGRE:
GOLPE OR ARTE?
REPARTO GOLE
PRATO LEGERO

(GORLERO PATÊ:

REGALO PERTO)

...

GAROTO LEPRE
POLEGAR RETO
GOLERO PARTE
ERA GOL TORPE
Ó PRETO GERAL!


...

GELO PORRETA
PELEGO TORRA
GRATO POR ELE
RELEGO RAPTO





15 de novembro de 2008

a merda adubou




mas isso, esse gesto, essa força, é foda demais pra dar espaço ao ensimesmamento, à lamúria, ao congelamento, constrangimento, à falta, ao cocô-não-adubo.

não, não, o que se deu ali deu nos meus dedos, nos dedos de muitos e muitas, foi um golpe violento no ressentimento e na memória saudosa ou esperança ingênua por tempos melhores e fez de lembranças incômodas motor de ineditismos que irromperam nossas peles.

tal qual o Fuganti nos falou, é preciso que a gente deixe de ser piedoso e possa fazer de nossos mais fortes afetos, POR PIOR QUE ELES SEJAM, memória de futuro, COMBUSTÍVEL pra vida, pra afetos ativos e não reativos, pra criação, pra vida como obra de arte. Já não vi mais mané urubu, e só ouvi cantos de sabiás.

tive aliados, estranhos aliados mesclados a velhos amigos. a afirmação disso se fez tão inchada que foi como o ápice do evento, o orgasmo, o pico. uma ou outra coceira foi esquecida. a agonística era tão grande que historinhas eram fragmentos de uma vida gorda, uma vida espessa. vidas. locais em que vidas e suas fronteiras se tocavam, já não eram mais bordas, as bordas forram corrompidas. e existências urravam com voz de possível ali, se efetuando, bem na nossa frente, bem nos nossos colos.

ja não era alice com um outro, alice com o mestrado, alice com suas historinhas, mas alice com alice, alice com o mundo. A Lóri, personagem da Clarice, uma vez disse: Um dia será o mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa, mas seremos um só.

eis que um prolongamento do mundo de repente é claramente eu, dobra, também matéria-prima desse mundo. não desse "mesmo mundo", porque ele não é o mesmo. ele é cada vez um, e não tenho medo de me saber uma das criadoras dele.

eu, meus caros, posso dizer:

hoje eu fui muito mais do que eu.

talvez hoje


eu tenha sido mundo.





9 de novembro de 2008

disfarce





Mil acrobacias a riscar os entres.

Inúmeras piruetas a furar os corpos.

Cores

Trapos

Tiros

Estrapos

Espaços

Cofres

Copes

Cópias

Tranças

Truques

Troços

Cantos

Cartas

Cantarços

Tarces

Tufos

Estardalhaços

Tudo suspenso em salto

E para quê?

Só para esconder aquele único

estático





8 de novembro de 2008

boa fase

vai bota ni mim...



mete sem medo
olha no olho...
olha pra frente


forte e preciso
com clara intenção


faz direitinho
tem receio não

vai que eu agüento
tende confiança:





lança que eu faço gol



vupt



a poeira baixou

o calor subiu
a palavra saiu
o bicho comeu
o vento bateu
a fruta caiu
a porta se abriu
o céu se expandiu
o mundo parou
o cabelo cresceu
a luz se apagou
o anel se quebrou
a roda rodou
o bonde passou


não tá mais aqui

(quem falou
?)



6 de novembro de 2008

nágua

Nunca havia derramado uma lágrima.
Uns acusavam-no de ser seco.
Umas lhe diziam sem coração.
Seu cachorro morrera: nada.
A mãe tivera câncer: nada.

A amada lhe abandonara: nada.

O amigo lhe traíra: nada.


Não achava estranho; pelo contrário, lhe era muito natural.
Não é que não ficasse triste; simplesmente não chorava porque não chorava.
E aquilo fazia todo sentido.



Esse dia, uma quarta-feira, amanheceu de um ensolarado rarefeito.

Fez xixi como sempre, tomou água como sempre, suou como se sua em um dia quente.

Ao meio-dia, um bafo úmido abancou-se na rua.
Teve dor de cabeça.
Um trivial dia de verão, o ar espessou-se.

Ao longo da tarde, gordas nuvens se armaram em um carrossel cinza.

O nariz entupiu.
À noitinha, chegou à frente de casa e ouviu a primeira trovoada.

Sentiu a pressão do ar em seu corpo e, estranhamente, a pressão de seu corpo na roupa.
Ao fechar a porta atrás de si, o céu desabou.




Quando chorou foi assim, no mais.

Chorou simplesmente porque choveu.





grau



Era tudo visto.
Havia pássaros nas mesmas árvores
Casas com suas mesmas portas
Gestos de um repertório familiar
Pingos nos mesmos Is.

E no entanto houve algo tilintante.

Um qualquer bater de asa ou outro que destoou
Alguma janela abandonada
Algo de quase bruto em um mínimo movimento
Gotas que não caíram
a engrossar letras e nuvens tremendas

Alguém nesse dia notou uma minúscula diferença em si.
Desesperou-se.


Mas nada disse.




28 de outubro de 2008

che, profesor!


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27 de outubro de 2008

o post que nunca acaba

Noah diz:
LAMENTÁVEL!!

NISSIN LÁMEN... TÁVEL!!!

O QUE PASSOU NO RIU ESSE FINDE

METADE + 55.225 SÃO OS OTÁRIOS DA CIUDAD MARABIJÓÇA!

CANAAAAALHAS, O BRASIW CONTAVA COM VCS!

LAMENTÁVEL O QUE ACONTECEU!

SORVETE NA TESTA DOS QUE CAIRAM NO CONTO DO FERIADÃO

ok, desabafei... ufa!

hmmm bem, hmmm, e de resto, tudo bem?

Eu digo:
olha, nessas au tô beeeeeeeeeeeeeem sem saber o que achar...
seria lámen também se o gabirosca ganhasse.
cairiam o conto "eu governo sozinho", quando se sabe que um trilhão de cargos, subcargos, CCs, editais, organizaçoes, desvios de verba (que acontecem em toda e qualquer administração, federal, distrital, estadual, municipal) são concedidos aos ALIADOS e APÊNDICES de um administrador.

e quem o seriam, no caso daquele-que-seqüestrou-o-embaixador-e-de
pois-apareceu-na-capa-do-Globo-sentadinho-bem-belo-no-clube-militar? Nada mais nada menos que a corja da prefeitura atual e o papi do PV: os TUCANÃO.
Gabeira me saiu muito mais um devir-FHC do que um devir-THC ou qualquer coisa que o valha.

Paes é uma merda, não tô dizendo que ninguém é melhor que ninguém, até pq ele se alinha com o retardado do governador atual e é PMDB.

Só digo que a tragédia já tava instalada no que acabou o primeiro turno.

A tragédia foi nacional. Resultados péssimos.

Só a rodada do brasileirão mesmo que foi boa.

Noah diz:
uau! também não vamos exagerar de realismo, eu tava torcendo pelo gabeira em nome da poesia!

=D
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21 de outubro de 2008

Reeditando II (05/2006)

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de tanto vento, paira.

observa quase levitante a batalha à sua volta.
corpos. olhos. cotovelos. cantos de olhos. cantos.
gira tangenciando durezas, amolecendo o chão.
seu chão, pode dizer.
em dança inventada à medida que dança.
seu corpo, pode dizer.
em curvas inventadas à medida que ama.
e ama, ama, ama. dilata a gama
do que é sensível.
leva o sangue a órgãos de prazer e deixa passar.
desfaz-se de órgãos em nome da leveza de insustentavelmente ser.
não mais é - está.
mescla os movimentos em nome da certeza de quase vir a ser.
não mais gruda - desliza.
passeia Dionisa por peles molhadas. as molha.
tudo o que toca, vibra.


desde aquele dia em que vestiu-se de poesia, é bem mais feminina.
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Uma dessas de colar na parede II


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Essas crianças que ainda rimam

espera...






virão




por cima da minha geração


geração





(...)






Não se preocupe com o tempo

se passa ele pra trás




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essa também não é minha

Uma dessas de colar na parede

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conspirar é respirar junto.
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Félix Guattari

Reeditando I (06/2007)

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Necessita-se de riqueza. Moedas, quem sabe-se lá. Especiarias de polietileno e poliamida.
Há de descosturar-se. Desentupir-se. Sentido de sonho.
Tupi. Literar-se. Mais Protuguês. Mais leitura. Mais envergadura. Mais bragança.
Uma opção pela léxica cultura e pela côncava saúde.
Uma porção de antissépticos e adstringentes para espectorar-se, advertir-se, adonizar-se.
Derrubar umas notas guardadas e umas prateleiras atrolhadas para sujar-se e limpar-se hipoalergenicamente.
Massa branca e massa cinzenta em alternância dulocrática. Fibrilação neuro-cardíaca.
Investigar-se, instigar-se, intrincar-se em imanantes imundícies inducorantes.
Indignar-se. Iodar-se.
Amidar-se em glúten. Acidular-se. Advir-se. Adivinhar-se.
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Quero outrar-me. Ser 100% algodão. Lavar à mão com água fria.
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Ei, senhor, fique!

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Uma metereologista falou (provavelmente na rádio Band news) e o Danichi me contou: esta é uma primavera perfeitamente NORMAL, depois de anos e anos com primaveras sob efeito de algum fenômeno infantil (la niña ou el niño). E ela é clara: "A primavera é isso mesmo, um período de TRANSIÇÃO. Não é uma estação quente. E sim isso que estamos vivendo".


Pois pois. É por esse motivo que eu digo: que venha o fim de novembro. Sai-se da primavera, entra-se no verão, mas ainda não está aquele calor com o qual suamos tomando banho frio.



(Sim, sim, também pra vir o meu niversaire e poder dar um festão aqui em casa, com direito a visita ao senhor esse no outro dia de manhã, na praia. Talvez assim aquelas criaturas das terras mais austrais e aquelas ilhadas lá no velho mundo se sintam compelidas a vir também...)
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18 de outubro de 2008

De patas pro ar

Depois de suspensas as punições, Paulo Schmitt declara que torce para que o Grêmio seja campeão.

Estou com Roth, que respondeu: "Fico feliz. É relevante!"

(cada uma que até parece duas)



16 de outubro de 2008

12 de outubro de 2008

Foi laminada.
Classificada.
Esquadrinhada.
Tentaram mantê-la nos contornos da moral.
Tantaram prendê-la nos arrebaldes da justiça.
Tentaram reduzí-la ao espaço da lógica.

Ainda tentam.

Ela enlouqueceu.
Descontrolou-se.
Caotizou-se.
Pôde mostrar-se infame.
Pôde mostrar-se cruel.
Pôde mostrar-se injusta.

É e sempre foi rebelde livre obscena filha-da-puta feia sexy pirada alegre careta insana bela explosiva eloqüente suave agressiva arrebatadora incontrolável escorregadia simples.
É bonita e é bonita.


Arrasa-nos e nos arrasta.







É mesmo uma arte isso de...











6 de outubro de 2008

3 de outubro de 2008

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30 de setembro de 2008

a diferença de um campeão para um banana

quinta-feira, 25 de setembro de 2008.

Declaração de Mano Menezes:


“Nós gaúchos sempre pensamos que o mundo tá um pouquinho contra a gente, isso é uma característica nossa, ficamos lá na ponta do país então você olha tudo para cima, pensa que sempre tá todo mundo contra, eu respeito isso porque sempre a gente acha que as coisas são contra a gente. (...) Então dá o direito do Grêmio reclamar, assim como alguém falou que quando o Grêmio ganhou um jogo lá do Ipatinga, né, o gol foi de falta que tava ajudando o Grêmio eu ouvi isso aqui também."




Domingo, 28 de setembro de 2008, 12h47 às 13h16

De Londres, Luiz Felipe Scolari, atual técnico do Chelsea, acompanha o Campeonato Brasileiro. Na briga de Palmeiras e Grêmio pela liderança do torneio, ele manifestou preferência pelo time gaúcho.


"É claro que se for o Grêmio, a gente vai ficar bem contente, porque é meu clube de coração desde criança", afirmou o gaúcho de Passo Fundo em entrevista à TV Globo.

Por outro lado, Scolari falou com carinho sobre o Palmeiras. "Depois de ter passado três anos e meio no Palmeiras e pelo relacionamento que ainda tenho no dia-a-dia com o clube, quem ganhar está ótimo para mim".



Mano, quer um dia ser como Felipão, ou tua ambição é eternamente essa da série B? Faz favor de mostrar um pouco mais de caráter. Mal foi a São Paulo, já baixou a cabeça pra imprensa paulista. Virou amiguinho. Esperto e medíocre. Nos levantou em uma época ruim, sim, somos gratos, mas não cospe no prato que comeu, pelamor de deus, senhor fã de série B.

Já Felipão nunca foi tão lembrado e celebrado: bons tempos em que tínhamos um técnico humilde e com ganas de vencer. Alguém que, mesmo em Londres, segue gremista, assim simplesmesnte, como um Patrício, por exemplo, que é gremista porque é gremista, e não por razões políticas. Scolari segue gremista e respeitoso para com o outro clube que o acolheu e ao qual deu alegrias. Elegante na simplicidade, nada mais. Não há mistério.



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Sobre o nosso atual técnico, me disseram hoje de manhã uma verdade: agora será o embate entre a mística do Grêmio e a mística do Roth. A tendência de um técnico que sempre começa bem e desanda no final X a tendência de um time que sempre tem tudo pra perder, mas vence.



Dá-lhe Grêmio, sempre

26 de setembro de 2008

roubo



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clarice
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alice

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23 de setembro de 2008

Mais


Mais uma série nova.
Mais uma Alice de cabelos castanhos, curtos, de 25 anos.
Droga.
Lá se foi o tempo em que Alice era um nome um tantinho raro e eu podia dispensar apelidos.
Vai saber.
Quem sabe essa me inspira a uma visita a São Paulo, cidade por tanto tempo do meu pai, mas de um jeito diferente. Agora, que tô pertinho.

intervenções sex & the city III







"He got scared? ... When I get scared, I hide under the covers, not between somebody's legs."

(Hobbes, 2001)




intervenções sex & the city II







"Sex with an ex can be depressing. If it's good, you don't have it anymore; if it's bad, you just had sex with an ex."

"Men aren't that complicated. They're kind of like plants."


(Jones, 2002)




20 de setembro de 2008

Extremismo





O mais feminino que há em ser mulher não é o absolutismo do cor-de-rosa.

É o paradoxo:


Ter como programas de TV preferidos ambos

FUTEBOL e SEX & THE CITY








uma movida





Enquanto caminhava ritmicamente, bateu um barato.

Ouviu uma música em algum canto do ouvido.
Era uma pulsação que fazia
pa pa pa pa pa...

Não, não!
Quando o volume aumentou, percebeu que era
ba ba ba ba ba...

Sim, sim!
Quero brincar com você, dançar com você
é super incrível
ba ba ba ba ba
bailinho




18 de setembro de 2008

de uma outra memória






Leu em Nietzsce que toda célula do corpo contém memória.

Aquilo a acometeu.
Cometeu então um pensamento.
(Uma vez, num cara que já lera Nietzsche, leu que algo pensara nele.)

Foi com o corpo.
Fez resistência.
Percebeu a diferença de exercitar esse gesto.
(Não era forçar um músculo, e sim aprimorar as técnicas de fortalecimento deste.)
Uma lembrança de meditação invadiu seu habitat.
Uma idéia muito clara de prelúdio também.
Casa invadida.
Tratava-se de luta, de repente soube.



Sentiu a lufada de ar no ventre.
Pulsações em alguns músculos.

E então outra rajada: o significado de pequena morte, em francês.
A pequenice arrombou suas células em um tamanho gigantesco.
Por ora, bastava de fazê-lo ali, sozinha.
O resto teria de acontecer na rua,
com:






Desceu as escadas correndo.
Mal podia esperar colocar os pés na calçada.
Desejava cometer muito.












13 de setembro de 2008






Escafandro: "Je veux mourir."

Borboleta: "Vous n'avez pas le droit de dire ça, vous êtes en vie, c'est un manque de respect.

C'est obscène."







10 de setembro de 2008

intervenções da rainha II





And I'm not sorry
It's human nature
And I'm not sorry

I'm not your bitch don't hang your shit on me

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Did I say something true?
Oops, I didn't know you couldn't talk about sex

Did I have a point of view?

Oops, I didn't know I couldn't talk about you









8 de setembro de 2008

Para ficar de mãos vazias



Os dias agora eram de um índigo. Algo da viscosidade tinha se diluído e por isso agora algo fluía. Não fácil como líquido, no entanto menos pegajoso. O ar seguia úmido, mas ao menos agora chovia, ao invés de estar tudo carregado em nuvens que densificassem a casa, a atmosfera, a rua, o corpo e o chão.


Era irônico o que se passara. Livrara com tanta avidez o pó dos móveis que, sem querer, operara um contrasenso: sobraram os móveis. Parcialmente desbotados, ficaram dessa cor dos dias, essa cor perdida entre o azul escuro e o preto. Um azul que perdeu a força, um preto que ainda não escureceu ao devido negro que pretendia ser. Se ao menos pudesse ter conservado a poeira... Mas não: perdera assim o encardido singular dos idos dias e ainda não chegara a cores vivas de madeiras estofados couros espumas metais plásticos que talvez ainda viessem a dotar a casa, a atmosfera, a rua, o corpo e o chão de suas vivacidades. O que havia era o úmido e o índigo. Não lamentava o acontecido, apenas sentia uma vertigem um pouco incômoda.


Foi conversar com Clarice na esperança de aprender a inventar o azul de mar pela manhã. Leu:
"Não, não, ela não estava perdida, ela ia mesmo fazer uma lista de coisas que podia fazer! Sentou-se diante do papel vazio e escreveu: comer - olhar as frutas da feira - ver cara de gente - ter amor - ter ódio - ter o que não se sabe e sentir um sofrimento intolerável - esperar o amado com impaciência - mar - entrar no mar - comprar um maiô novo - fazer café - olhar os objetos - ouvir música - mãos dadas - irritação - ter razão - não ter razão - não ter razão e sucumbir ao outro que reivindica - ser perdoada da vaidade de viver - ser mulher - dignificar-se - rir do absurdo de minha condiçao - não ter escolha - ter escolha - adormecer - mas de amor de corpo não falarei.
Depois dessa lista ela continuava a não saber quem ela era, mas sabia o número indefinido de coisas que podia fazer."






7 de setembro de 2008

intervenções sex & the city I







"it wasn´t logic.
it was love."
(Bradshaw, 2008)






6 de setembro de 2008

intervenções da rainha I





borderline...

feel like I´m going to loose my mind
you just
keep
on
pu
shing
my
love
over the border
line




3 de setembro de 2008

copiei e colei de www.divagacoesapenas.blogspot.com


)uma lufada de ar e um convite pra visitar meu linchado: apenado(


quem faz um poema abre uma janela

respira,tu que está numa cela

abafada,

esse ar que entra por ela.

por isso é que os poemas tem ritmo

- para que tu possas profundamente respirar

quem faz um poema,salva um afogado

mario quintana


2 de setembro de 2008

doses cavalares



  • Libere a ação política de toda a forma de paranóia unitária e totalizante.


  • Liberte-se das velhas categorias do Negativo (a lei, o limite, a castração, a falta, a lacuna) que o pensamento ocidental por tanto tempo manteve sagrado enquanto forma de poder e modo de acesso à realidade. Prefira o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas, considere que o que é produtivo não é sedentário, mas nômade.

  • Não imagine que precise ser triste para ser militante, mesmo se a coisa que combatemos é abominável. É o elo do desejo à realidade (e não sua fuga nas formas da representação) que possui uma força revolucionária.


  • Não se apaixone pelo poder.



Trechos do texto de Michel Foucault "Anti-Édipo: uma introdução à vida não-fascista", prefácio do livro de Gilles Deleuze e Felix Guattari "Anti-Édipo".

mote


E são essas dores de
espinha que agudecem a cabeça E todos esses móveis que se depositam na poeira E muito desse encardido da rua que ameaça o carro E um tal hiato de tempo que convida o vazio E nisso um apanhado de possíveis despistados E essas borboletas que desassossegam o ventre E essas outras mariposas que levantam a sala em vôo E algumas promessas despretenciosas que convocam E a velocidade altiva da rapidez imposta E por fazer, o fazer por E também as páginas, as páginas, (idas), o encardido das páginas,
os parágrafos parados,
os poemas

vazios

as palavras, as palavras


a poeira das palavras por fazer.